Prêmio Strega completa 80 anos e revela a 'dozzina' da edição 2026
Prêmio Strega 80 anos: anunciada a dozzina de 2026, com retorno do romance e 12 finalistas entre Einaudi e La nave di Teseo.
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Prêmio Strega completa 80 anos e revela a 'dozzina' da edição 2026
Prêmio Strega entra na fase decisiva: a tradicional dozzina da 80ª edição foi anunciada hoje na Sala del Tempio di Vibia Sabina e Adriano, em Roma. A seleção foi revelada por Melania G. Mazzucco, que, ao lado do Comitê diretivo, escolheu os doze títulos entre as 79 obras propostas pelos Amici della domenica.
Como reflexo do estado atual da literatura italiana, a editora Einaudi emplacou três títulos, seguida por La nave di Teseo com duas obras. A lista completa da dozzina traz autores de trajetórias diversas, dos novíssimos aos noventões, confirmando a amplitude de um prêmio que se projeta também como espelho do nosso tempo cultural.
- Maria Attanasio — La Rosa Inversa (Sellerio)
- Ermanno Cavazzoni — Storia di un'amicizia (Quodlibet)
- Teresa Ciabatti — Donnaregina (Mondadori)
- Mauro Covacich — Lina e il sasso (La nave di Teseo)
- Michele Mari — I convitati di pietra (Einaudi)
- Matteo Nucci — Platone. Una storia d'amore (Feltrinelli)
- Alcide Pierantozzi — Lo sbilico (Einaudi)
- Bianca Pitzorno — La sonnambula (Bompiani)
- Christian Raimo — L'invenzione del colore (La nave di Teseo)
- Elena Rui — Vedove di Camus (L'orma)
- Nadeesha Uyangoda — Acqua sporca (Einaudi)
- Marco Vichi — Occhi di bambina (Guanda)
Na avaliação de Mazzucco, o traço mais marcante desta edição é o retorno do romance, acompanhado pela volta da história e das histórias: «há um recuo das autobiografias, memórias familiares e da autoficção que marcaram as últimas edições», explicou. Segundo ela, reaparecem também temáticas centrais como o trabalho e o gênero, ao lado de uma renovada dimensão de brincadeira literária, uma espécie de reframe que reacende o prazer do texto.
Os números confirmam a amplitude desta edição: foram 79 candidatos, sendo 46 autores e 33 autoras; a faixa etária vai dos 20 aos 94 anos. Participam quase todas as grandes e médias editoras italianas, além de 44 pequenas casas independentes — um ecossistema editorial em diálogo constante com o público e com a história do prêmio.
O veredito final será composto por 800 votantes: 460 Amici della domenica, 245 leitores do exterior selecionados por 35 Institutos Italianos de Cultura, 30 votos coletivos de escolas, universidades e clubes de leitura das Bibliotecas de Roma, e 65 leitores fortes escolhidos entre profissionais e empresários.
As próximas etapas já estão marcadas: no dia 3 de junho, no Teatro Romano de Benevento, será anunciada a cinquina finalista; a cerimônia de premiação ocorrerá em 8 de julho no Campidoglio, com transmissão ao vivo pela Rai 3 — uma escolha simbólica que reafirma o vínculo histórico entre o Prêmio Strega e Roma.
A dozzina também concorrerá ao Prêmio Strega Giovani, que será atribuído em 27 de maio no PalaCep de Gênova por uma bancada de mais de mil estudantes de 125 escolas. Retorna ainda o Strega Tour, com mais de 25 paradas nacionais e uma internacional — Cidade do México e Guadalajara — em colaboração com o Instituto Italiano de Cultura, dentro do diálogo cultural que precede a presença italiana como convidada de honra na FIL de dezembro.
Para marcar os 80 anos, abre em 29 de abril no MACRO de Roma uma mostra dedicada ao prêmio, cujo percurso narrará a história desta instituição literária, reunindo arquivos, documentos e peças que mapearam o percurso do Strega ao longo de oito décadas.
Se o Prêmio Strega é, como um filme de longa duração, um roteiro coletivo que documenta as modulações culturais de cada época, a dozzina de 2026 confirma que, na Itália contemporânea, o romance e a história voltaram a comandar a cena — com a sutileza de quem transforma memória e forma em ação crítica e estética.