Radda Arte 2026: Sergio Fiorentino invade o Chianti com o seu azul ultramarino

Radda Arte 2026: Sergio Fiorentino transforma Radda in Chianti com pinturas e esculturas em intenso azul ultramarino. Exposição até 20/09/2026.

Radda Arte 2026: Sergio Fiorentino invade o Chianti com o seu azul ultramarino

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Radda Arte 2026: Sergio Fiorentino invade o Chianti com o seu azul ultramarino

Por Chiara Lombardi — Em um gesto que parece retirar do tempo imagens antigas para devolvê‑las ao presente, Radda Arte 2026 abre as portas do borgo medieval de Radda in Chianti ao trabalho do pintor e escultor Sergio Fiorentino. A mostra, em cartaz de 6 de junho a 20 de setembro de 2026, propõe um itinerário expositivo distribuído entre ruas, praças e interiores sagrados, um verdadeiro eco cultural que fala tanto do Mediterrâneo quanto da paisagem toscana.

Curado por Mila Sturm e organizado por Radda Estate d’Arte APS — cuja presidente é Barbara Widmer — o projeto retoma a vocação do território para encontros entre arte contemporânea e paisagem, na esteira da experiência de Panzano Arte 2019. A marca imediata do percurso é a presença constante de um azul ultramarino intenso: uma paleta que atravessa pinturas, gravuras, drapejos e esculturas, fazendo das fachadas do vilarejo uma tela íntima e coletiva.

As obras de Sergio Fiorentino surgem como aparições: santos, rostos e fragmentos humanos que emergem das superfícies com tonalidades estratificadas, criando um balanço entre memória, espiritualidade e visão. É como se o visitante fosse convidado a atravessar o roteiro de uma narrativa que funciona como um espelho do nosso tempo, onde o antigo e o contemporâneo se refratam e reencenam significados.

O itinerário se desenvolve tanto dentro do próprio borgo de Radda quanto na próxima Chiesa di Santa Maria Novella, a poucos quilômetros em direção a Volpaia — templo recentemente reaberto ao público após longos anos de restauro iniciados em 1990. Nesta pieve românica, quatro grandes pinturas de santos de Fiorentino dialogam com a arquitetura sacra, enquanto nos muros exteriores flutuam drapejos monumentais que reproduzem a sua pintura em escala urbana.

No centro histórico de Radda, a exposição se desdobra ao longo da estrada principal: gigantografias, pinturas monumentais, esculturas e instalações estabelecem um confronto direto com a intimidade do lugar, convidando à caminhada como experiência estética e social. Em frente ao sagrato da Chiesa di San Niccolò, uma instalação composta por nove esculturas da série Segreti — cabeças que se abrem, revelando uma interioridade enigmática — instala um misto de curiosidade e reflexão.

O espaço de acolhimento público no coração da vila transforma‑se em galeria: ali estão cinco grandes obras, duas menores e uma constelação de objetos — móveis‑escultura, vasos e outras peças inspiradas na figura de São Sebastião — forjadas no estúdio do artista em Noto, onde cores e materiais do passado são recriados em chave onírica.

Projeto de alcance comunitário, Radda Arte 2026 envolve ainda alunos do liceu local, que produzirão 23 cartazes para integrar o percurso expositivo, reforçando o diálogo entre arte e comunidade. No conjunto, a mostra de Fiorentino funciona como um reframe da paisagem e da memória: não apenas apresentação de obras, mas um cenário de transformação que nos convoca a reler o presente através de imagens que parecem ter saído de um roteiro oculto da sociedade.