Ryan Tedder (OneRepublic): 'Queremos de volta as canções que dão arrepio' — novo single e turnê na Itália

Ryan Tedder (OneRepublic) fala sobre o novo single 'Need Your Love', o retorno ao som que dá arrepio e a turnê pela Itália em julho.

Ryan Tedder (OneRepublic): 'Queremos de volta as canções que dão arrepio' — novo single e turnê na Itália

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Ryan Tedder (OneRepublic): 'Queremos de volta as canções que dão arrepio' — novo single e turnê na Itália

Por Chiara Lombardi — Em uma conversa que mais parece um roteiro íntimo sobre a relação entre música e memória, Ryan Tedder, líder dos OneRepublic, relata a decisão de reiniciar o relógio criativo da banda com o novo single Need Your Love. Autor e produtor por trás de sucessos multiplatina — e detentor de três Grammy Awards como autor ou produtor — Tedder reforça que, acima de tudo, é ao lado da sua banda que encontra o lugar mais especial do seu universo artístico.

"Nos últimos anos nossa música foi mais alegre — queríamos fazer as pessoas se sentirem bem depois da pandemia —, mas agora, também por termos trocado de gravadora, quisemos apertar o botão de reset e voltar ao ponto onde começamos, há mais de 18 anos", explica. O objetivo é claro: recuperar a sensação que o arrepio no peito traz, aquele efeito visceral que marcou o lançamento de "Apologize" e que, segundo ele, deve voltar a nortear as canções da era atual.

Para Tedder, o termômetro de uma canção de sucesso é simples e quase cinematográfico: se provoca arrepio, cria-se um laço emocional com o público. "Trabalho com muitos artistas — de Rosalía a BTS — e, seja qual for o estilo, procuro sempre o mesmo: aquilo que dá calafrios e emociona. Esse é o fio que une o compositor ao público." Aqui, a metáfora funciona como espelho do nosso tempo: a música que atravessa a pele consegue traduzir narrativas pessoais em memória coletiva.

O single também é um pequeno tratado sobre prioridade entre sentimentos e bens materiais. Tedder admite a tentação do supérfluo, mas pondera: "As coisas materiais chamam atenção, mas nascemos e morremos do mesmo jeito — sem nada. O que preenche o espaço entre esses pontos são as relações que cultivamos". É uma reflexão que soaria em qualquer grande cena de cinema sobre escolhas e legado.

O vínculo com a Itália, por sua vez, é afetivo e quase geográfico: além de ter passado a lua de mel no país e várias férias em família, Tedder fez um voto público, no primeiro show do grupo em solo italiano, de que faria o que fosse preciso para que a banda tivesse sucesso na Itália. A promessa se converte em prática: os OneRepublic retornam em julho, com shows em Asti (Astimusica, 9 de julho), Bassano del Grappa (Bassano Music Park, 10 de julho) e Rock in Roma (12 de julho). "A Itália será sempre um lugar onde voltaremos, até nos aposentarmos", declara.

Sobre planos futuros, Need Your Love é o primeiro sinal de uma nova era que culminará em um álbum previsto para o outono. Tedder distingue seu trabalho para outros artistas — que muitas vezes considera um emprego — do processo com a própria banda: "Com os OneRepublic não é só trabalho; precisa ser especial, é a minha perspectiva sobre o universo". Algumas músicas, como "Apologize" e "Counting Stars", por sorte, ressoaram mais longe e se tornaram trilhas coletivas.

Não deixa de reconhecer a humildade exigida pela profissão. Lembra dos anos iniciais, quando o sucesso parecia distante e a banda chegou a ser dispensada por gravadoras. "Cheguei a pensar que talvez eu seria somente um autor e que minha banda não teria sucesso" — um pensamento que hoje soa como prelúdio de uma virada. E, em tom de reverência, cita ainda encontros profissionais marcantes, incluindo o privilégio de escrever para figuras lendárias — entre elas, Paul McCartney, a quem chama de "o maior" e elogia por tocar todos os instrumentos.

Ao fim, o que permanece é a intenção deliberada de compor músicas que provoquem uma experiência corporal e coletiva — a eletricidade do arrepio — e que, como cenas poderosas de um filme, reframe nossa percepção e se instalem como eco cultural. Tedder e os OneRepublic retornam à estrada italianamente confiantes, levando na bagagem tanto o passado que os definiu quanto a vontade de reencontrar a pele de galinha nas plateias.