Scienza e Virgola celebra 10 anos em Trieste: o humanismo científico no centro do debate
Festival Scienza e Virgola chega aos 10 anos em Trieste com +90 vozes debatendo o tema 'Umano' entre ciência, literatura e política.
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Scienza e Virgola celebra 10 anos em Trieste: o humanismo científico no centro do debate
Em um gesto que parece um espelho do nosso tempo, o festival Scienza e Virgola celebra sua décima edição transformando Trieste na capital temporária do debate entre ciência, literatura e sociedade. De 7 a 10 de maio, a cidade acolhe mais de 90 vozes nacionais e internacionais para discutir o que significa ser humano na encruzilhada entre descoberta e experiência.
Promovido pelo Laboratório Interdisciplinar da Sissa, com direção artística do escritor e físico de formação Paolo Giordano, o evento — concebido cientificamente por Nico Pitrelli — propõe 41 eventos públicos ao longo de quatro dias, além de cerca de 20 atividades reservadas a escolas e comunidades locais, incluindo instituições como a casa circondariale, o Rsa e estruturas hospitalares. A proposta é clara: contar a ciência e as narrativas que ela engendra, sem reduzir o saber a jargões, mas devolvendo-lhe a dimensão humana.
O fio condutor do encontro é justamente a noção de cura — tanto na acepção clínica quanto na ética e social. Na noite de abertura, dia 7 de maio, Paolo Giordano senta-se em diálogo com a jornalista e autora Concita De Gregorio, que apresenta em estreia italiana o seu novo livro "La cura" (Einaudi). É um começo simbólico: a ciência que cuida, a literatura que coloca em cena o cuidado como método de conhecimento.
Ao longo do festival, haverá conversas que mapeiam o roteiro oculto do presente: o diretor do Post Francesco Costa analisa o "Novo (dis)ordine del mondo"; a autora franco-mauriziana Nathacha Appanah veste de literatura as histórias de mulheres e violências em "La notte nel cuore"; já Alcide Pierantozzi discute a vivência dos distúrbios psíquicos em "Lo sbilico". A reflexão sobre família, política e relações íntimas ganha voz em diálogos com o premiado Andrea Bajani e com Samah Karaki, fundadora do Social Brain Institute e autora de "L’empatia è politica".
O festival se abre também para as linguagens híbridas: a pesquisadora e poeta canadense Madhur Anand fala da confluência entre ciência e poesia; a história da física é evocada na figura de Abdus Salam, Nobel e fundador do Centro Internacional de Física Teórica de Trieste. Ainda há espaço para a ciência em quadrinhos com a participação singular de Francesco Tullio Altan e sua Pimpa, e para debates sobre geopolítica, drones e novas formas de poder com os jornalistas Gianluca Di Feo e Tonia Mastrobuoni.
Investigar o que nos tornou biologicamente humanos é o fio que conecta as mesas: o cientista britânico Lewis Dartnell, autor de "Essere umani", traz sua reflexão sobre a nossa espécie. Como prelúdio, o festival apresenta uma anteprima dedicada à matemática, com o acadêmico de Oxford Marcus du Sautoy, enquanto uma conversa marcada para a programação abordará a questão da energia entre ciência e sociedade com um físico de reconhecida trajetória.
Scienza e Virgola não é apenas um encontro de especialistas; é um reframe da realidade, uma celebração do diálogo entre saberes que se presta a interpretar o presente e a desenhar possíveis futuros. Em seu décimo ano, o festival reafirma que a ciência — quando narrada com curiosidade sofisticada — permanece um farol para compreender o humano como espaço compartilhado de investigação e cuidado.