Se Apri gli Occhi: Escolhas, ambição e o amor que desafia a morte no novo romance de Roberto Di Sante
Em 'Se Apri gli Occhi', Roberto Di Sante explora escolhas, ambição e arrependimento numa saga entre Palombara e Hollywood.
RESUMO ✦
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Se Apri gli Occhi: Escolhas, ambição e o amor que desafia a morte no novo romance de Roberto Di Sante
Por Chiara Lombardi — Entre o palco e a memória, Se Apri gli Occhi inaugura um pequeno espelho do nosso tempo: nas vitrine do sucesso, o reflexo nem sempre mostra quem realmente fomos. Publicado pela Ultra, o novo romance do jornalista, autor e maratonista Roberto Di Sante é uma narrativa sobre escolhas, ambição e o inevitável arrependimento, um enredo que convida a pensar o que perdemos quando trocamos um futuro doce por um roteiro comercial.
No centro da trama está Andy Fontana, a estrela de Hollywood descrita com ironia e melancolia: "o ator mais pago do mundo. Lo scapolo d'oro di Hollywood. Il cinquantenne che ha fatto un patto con il diavolo...". É com esse tipo de clichê que o autor maneja a superfície, enquanto escava o subsolo emocional do personagem. Andy morre no palco de um teatro de província italiano e, para espanto e graça do destino, desperta na sua villa em Beverly Hills ao lado de uma desconhecida. Ele tem tudo: sucesso, dinheiro, mulheres. Mas há um vazio — uma dor persistente que o força a revisitar um mapa de escolhas que parecia enterrado.
Antes de ser Andy, ele era Andrea Fontana, de Palombara, um vilarejo às portas de Roma, onde interpretava Shakespeare numa companhia de amigos e vivia um amor absoluto por Anna. Era um projeto de vida simples e verdadeiro, uma tessitura íntima entre fé e teatro, que Andrea rasgou na busca pelo estrelato. A narrativa percorre trinta e cinco anos e meia do mundo — de Palombara a Los Angeles, de Roma a Nova York, até a praia de Deauville — e devolve ao leitor imagens vívidas de lugares que funcionam como cenários simbólicos de transformação.
O romance articula-se por visões, lembranças e encontros que forçam Andy/Andrea a confrontar o que foi sacrificado para erguer a sua estátua pública. A jornada culmina num encontro capaz de abalar as certezas do protagonista — um dispositivo narrativo que funciona como um reframe da realidade e nos lembra que o passado pode ser mais real do que o presente.
Autor multifacetado — jornalista, escritor e maratonista — Roberto Di Sante já havia publicado com Ultra o livro Corri. Dall’inferno a Central Park (2018), vencedor do prêmio Argentario 2020 e do prêmio Alda Merini 2024; obra que virou espetáculo teatral dirigido por Ferdinando Ceriani, com Sebastiano Gavasso e Giovanna Famulari, em turnê há cinco anos. Em 2019 saiu Tre, premiado no concurso literário Città di Grosseto – Amori sui generis. Em novembro de 2025, a revista Runner’s World o indicou como "icona del running" por ter inspirado renascimentos pessoais através da narrativa esportiva.
Como observadora do zeitgeist, penso que Se Apri gli Occhi funciona simultaneamente como fábula sobre a fama e como análise do que a sociedade contemporânea considera triunfo. O romance nos oferece uma semiótica do viral pessoal: memórias que circulam como imagens icônicas, escolhas que se transformam em mantras e um final que pergunta — sem respostas fáceis — se o amor pode, de fato, ser mais forte até mesmo que a morte. Leia-se esta obra como quem assiste a um filme premiado: além da emoção, resta o roteiro oculto da nossa época.