Serena Brancale e 'Sacro': transformar feridas em festa e o sonho de abrir uma escola de canto

Serena Brancale transforma feridas em festa com 'Sacro', mistura dialeto, soul e latin; anuncia tour e sonha abrir escola de canto.

Serena Brancale e 'Sacro': transformar feridas em festa e o sonho de abrir uma escola de canto

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Serena Brancale e 'Sacro': transformar feridas em festa e o sonho de abrir uma escola de canto

Há um antes e um depois na trajetória de Serena Brancale desde Sanremo. Não pelo nono lugar no festival — que ela lê como um sinal, evocando nomes como Mia Martini e Giorgia —, mas pelo gesto artístico radical: mostrar-se sem filtros. Em Qui con me ela renunciou a cenários e artifícios. Sobrou apenas uma história de amor entre uma filha e uma mãe ausente, e o ápice foi o vestido da mãe usado na final. "Era dela, cheirava a ela", contou Brancale no vodcast da Espresso Italia. Essa nudez emocional se tornou a chave de Sacro, novo álbum lançado hoje pela Isola degli Artisti/Atlantic Records Italy/Warner Music Italy.

Sacro é um fio que costura dialeto, soul, latin, jazz e pop — uma mistura que, para Serena, só funciona porque ela é o próprio elo. A primeira faixa, Maria, chega como uma salsa dedicada à mãe: uma herança afetiva que também explica seu amor pela música latino-americana. A canção abre o álbum como quem abre uma memória; é simultaneamente íntima e expansiva, espelho do nosso tempo e roteiro oculto da sociedade que lida com luto, identidade e celebração.

No discurso de Brancale há uma defesa enérgica do Sul: suas cores, seus clichês e seus mestres. Ao citar artistas como Sal Da Vinci, ela lembra que a competência persiste mesmo quando as modas mudam. Sobre o retorno do dialeto, é direta: "É internacional, te torna autêntico" — uma afirmação que revela como a linguagem local, transportada pela música, funciona como reframe da realidade e mapa de pertencimento.

O percurso de Serena também é feito de recusas que viraram combustível. O "não" de Simona Ventura em uma etapa do X Factor foi o empurrão para comprar uma loop station e recomeçar. Depois veio Baccalà, a faixa que encurtou a distância até um público maior: para Brancale, essa canção será sempre sagrada, assim como a cozinha pugliese, o dialeto e a liberdade de experimentar.

O Sacro Tour parte de Londres em 30 de abril e chega a Bari em 3 de outubro. "Preparem-se para uma banda mais rica em instrumentos e músicos, e também um corpo de bailarinos. Será festa, mas também uma dimensão íntima", adianta. Entre turnê e promoção, ela alimenta um sonho prático e generoso: abrir uma escola de canto — a "escola da tia" — para transmitir técnica, atitude e coragem às novas vozes.

Ao fim da conversa, Serena sorri e canta a cappella. É um gesto que resume a intenção do projeto: tudo volta à voz, à verdade, ao que ela define como o "sacro" da música — a capacidade de transformar feridas em festa. Como observadora do zeitgeist, vejo em Sacro um eco cultural importante: não é só um disco, é um manifesto sobre autenticidade, memória e o poder de reinventar a dor em celebração.