Shakira lança 'Dai Dai', o hino da Copa de 2026 com Burna Boy: uma ode às crianças e à resiliência

Shakira lança 'Dai Dai', hino da Copa 2026 com Burna Boy; entre referências a Maldini e ao impacto de 'Waka Waka', ela fala sobre família, dor e educação.

Shakira lança 'Dai Dai', o hino da Copa de 2026 com Burna Boy: uma ode às crianças e à resiliência

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Shakira lança 'Dai Dai', o hino da Copa de 2026 com Burna Boy: uma ode às crianças e à resiliência

Por Chiara Lombardi — Em um movimento que funciona como um reflexo do nosso tempo, Shakira apresenta ' Dai Dai ', a canção oficial da Copa do Mundo 2026, gravada ao lado do nigeriano Burna Boy. A artista colombiana — dona de mais de 95 milhões de discos vendidos e de um concerto histórico em Copacabana para mais de dois milhões de pessoas — volta a ocupar o centro do palco global com uma faixa que pretende ser mais que um single festivo: é uma declaração política e afetiva dirigida às novas gerações.

O lançamento, divulgado ontem, chega embalado por referências futebolísticas e afetivas: no texto da música há uma citação a Paolo Maldini (comentada em tom bem-humorado sobre o proprietário do Milan, Gerry Cardinale) e uma reafirmação do vínculo da cantora com a cultura italiana. 'Em mim há sangue italiano, é um laço indissolúvel: amo a vossa cultura e tenho amigos italianos fantásticos. Por isso fiquei triste no dia em que vocês não se qualificaram; estava realmente chocada', disse a cantora, alinhando emoção pessoal e narrativa pública — o tipo de cena que transformamos em roteiro cultural.

Além disso, Shakira foi confirmada para o Halftime Show da final, no dia 19 de julho, dividindo o palco com Madonna e os BTS. 'Será extraordinário me apresentar ao lado deles. E cantarei Dai Dai, que é muito mais do que uma simples canção da Copa do Mundo. É sobretudo uma mensagem para cada criança a quem disseram que seu sonho é grande demais', declarou a artista — um refrão que funciona como um chamado coletivo, quase uma trilha sonora para o reframe dos sonhos.

O paralelo com 'Waka Waka', o hino de 2010 que mudou sua carreira, foi inevitável. 'Waka Waka teve um impacto enorme na minha vida, é uma das minhas canções mais importantes. E mudou minha vida pessoal: graças a Waka Waka conheci o pai dos meus filhos, Gerard Piqué', lembrou, em uma fala que mistura memória pública e intimidade. Perguntada sobre o auge e o fundo do poço pessoal, Shakira apontou que o maior brilho foi o nascimento de seus dois filhos e o maior sofrimento foi o fim da família que imaginou manter para sempre com Piqué. 'Foi um momento realmente terrível', disse, sem dramatismo desnecessário, reconhecendo que a dor também ensinou resiliência.

No centro do discurso de Shakira há uma preocupação ampla: um mundo fragmentado por algoritmos e polarizações que manipulam reações e afastam as pessoas. A resposta que ela propõe é quase pedagógica — e cultural: unir forças em torno da educação e do cuidado com as crianças. 'A única arma que temos para transformar o mundo é a educação', afirmou, devolvendo ao repertório pop uma função civilizadora.

Musicalmente, 'Dai Dai' cita ícones do futebol como Pelé e Maradona, em um movimento que não é apenas elogio à glória, mas também reconhecimento de que por trás de cada campeão houve alguém que acreditou. Esse gesto converte a canção em uma espécie de manifesto sobre a crença intergeracional: o eco cultural de uma artista que atravessa continentes e identidades — e que, como numa grande cena de cinema, nos pede para olhar além da imagem e reconhecer o roteiro oculto das emoções coletivas.

Ao final, permanece a sensação de que Shakira não entrega apenas um hino esportivo: oferece um espelho do nosso tempo onde entretenimento e responsabilidade social se cruzam, e onde a música volta a ser uma linguagem para construir futuro, um refrão por vez.