Sharon Stone diz que não assiste cenas de sexo na TV: “Hoje falta imaginação; ‘Basic Instinct’ mudou minha carreira e custou a guarda do meu filho”
Sharon Stone diz que evita cenas de sexo na TV por falta de imaginação; relembra como 'Basic Instinct' mudou sua carreira e afetou a guarda do filho.
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Sharon Stone diz que não assiste cenas de sexo na TV: “Hoje falta imaginação; ‘Basic Instinct’ mudou minha carreira e custou a guarda do meu filho”
Em entrevista a Gayle King no programa CBS Mornings, a atriz de 68 anos Sharon Stone voltou a refletir sobre o impacto cultural e pessoal da icônica cena em que cruza as pernas em Basic Instinct. Com a elegância de quem observa o cinema como espelho do nosso tempo, Stone descreveu como aquele momento virou um ponto de virada — para o bem e para o mal — na sua trajetória.
Segundo a atriz, o papel de Catherine Tramell “mudou tudo”, mas também trouxe consequências dolorosas. “Sinto que não fui protegida e, por muitos aspectos, fui punida pelo comportamento de terceiros”, disse ela, lembrando que, após o sucesso do filme, enfrentou tratamentos cruéis e comentários que a reduziram a um estigma. Em um dos episódios que mais a marcaram, durante a disputa pela guarda, seu filho foi questionado em tribunal sobre se a mãe teria feito filmes pornográficos — uma pergunta que Stone classificou como “curiosamente inapropriada”.
A cena das pernas cruzadas, que hoje integra a história do cinema, foi reavaliada por Stone em termos semióticos: era apenas “um terço de fotograma”, não um plano completo, e ainda assim desencadeou uma obsessão coletiva sobre um detalhe menor. “As pessoas procuravam desesperadamente entender se eu usava calcinha ou não”, lembrou ela, mostrando como a cultura reagiu com um frenesi que fala mais sobre desejos e proibições sociais do que sobre o próprio ato filmado.
Essa leitura crítica se transforma em diagnóstico para o presente: a atriz confessou que não assiste mais a cenas de sexo em programas de TV. “Quando aparecem cenas de sexo na televisão, eu avanço o vídeo”, afirmou. Para Sharon Stone, a representação contemporânea é muitas vezes explícita e direta demais — ela acredita que isso rouba a imaginação do espectador e empobrece o mistério e o desejo, elementos que, segundo ela, mantêm viva uma dimensão mais profunda da nossa sexualidade.
A observação de Stone funciona como um reframe da realidade audiovisual: onde antes havia um roteiro oculto que provocava e instigava, hoje há uma exposição que, na opinião dela, nivela sensações e elimina camadas interpretativas. Para a atriz, preservar o mistério é essencial — não apenas para a estética, mas para a saúde do desejo e da imaginação coletiva.
Ao revisitar o legado de Basic Instinct, Stone coloca também uma questão ética sobre como a indústria e a sociedade tratam as mulheres que ocupam papéis controversos — e como esses papéis podem repercutir na vida privada. Em tom ao mesmo tempo crítico e melancólico, ela conclui que aprendeu a proteger sua intimidade selecionando o que permite ver: “Prefiro o meu desejo, o mistério, a vontade — quero que continuem vivos dentro de mim”.
Data da entrevista: 1 de abril de 2026.