Silvio Rodríguez diz que empunharia fuzil para defender Cuba caso os EUA ataquem
Silvio Rodríguez diz que pegaria um fuzil para defender Cuba se os EUA atacarem; artista reafirma postura de resistência e gera reações públicas.
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Silvio Rodríguez diz que empunharia fuzil para defender Cuba caso os EUA ataquem
Por Chiara Lombardi — Em um comentário direto e carregado de simbolismo, o cantor e compositor cubano Silvio Rodríguez, 79 anos, afirmou em seu blog que estaria disposto a abandonar temporariamente a guitarra para pegar um fuzil se os EUA atacassem a Cuba. A declaração foi publicada na plataforma Segunda Cita, em meio a um longo texto de análise sobre a crise energética cubana e as tensões entre imperialismo e América do Sul, assinado por Josué Veloz Serrade.
Nas palavras que circularam rapidamente pela imprensa internacional, Rodríguez escreveu: "Pretendo o meu AKM (fuzil de assalto soviético), se atacam. E o digo a sério". A frase, concisa e carregada de intenções, ecoa o tom de resistência que há décadas acompanha a obra do artista — um dos expoentes da Nueva Trova e voz simbólica da revolução cubana.
O gesto não é apenas militar; é uma imagem que funciona como metáfora do lugar do artista no cenário político: alguém que, diante de uma ameaça externa, transforma sua identidade pública num ato de defesa. Como um roteiro onde o protagonista troca o violão por uma arma, a cena sugere um reframe da realidade em que arte e política se entrelaçam.
Rodríguez, que em 2024 comemorou 50 anos de carreira nos palcos e esteve em turnê pela América Latina no outono passado, já é conhecido também pelo público italiano — várias de suas canções foram regravadas em italiano por artistas como Fiorella Mannoia ("Piccola serenata diurna") e Gigliola Cinquetti ("Ti amerò").
No mesmo post onde apareceu o comentário do músico, foi publicada a longa análise de Veloz Serrade sobre o quadro atual da ilha; em seguida, Rodríguez adicionou nos comentários a citação do presidente Miguel Díaz-Canel, que advertiu que "qualquer agressor externo encontrará uma resistência inexpugnável". A postura do presidente reforça um cenário de confrontação discursiva com a Casa Branca.
Nas respostas ao pronunciamento, surgiram manifestações de apoio. Doris García Téllez, amiga histórica de Rodríguez, escreveu: "Irmão meu, estou ao teu lado com meu fuzil. Pronta para o combate. Ninguém morrerá, principalmente não agora... Um abraço". O comentário mostra como, para parte da sociedade cubana ligada à memória revolucionária, a defesa da ilha permanece uma causa coletiva.
Quando a declaração ganhou repercussão fora de Cuba — chegando, por exemplo, ao jornal El País — o próprio músico minimizou a surpresa pública: "Honestamente, não esperava essa reação a algo que 'se cae de la mata' (que é óbvio)", afirmou, numa frase que mistura resignação e ironia.
Mais do que o fato isolado, a declaração de Silvio Rodríguez é um espelho do nosso tempo: revela como as narrativas artísticas ainda podem funcionar como faróis de identificação política e memória coletiva. Entre acordes e palavras, o cantor oferece ao público uma imagem que remete à longa história da ilha — e nos convida a pensar no roteiro oculto das tensões geopolíticas que atravessam a cultura contemporânea.
Data da declaração e cobertura: 19 de março de 2026.


