Silvio Soldini supervisiona Freeze: curta celebra os 30 anos de Io Donna com uma história sobre amizade e escolhas
Silvio Soldini supervisiona Freeze, curta de Officine IED com Valentina Romani e Celeste Dalla Porta, em homenagem aos 30 anos de Io Donna.
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Silvio Soldini supervisiona Freeze: curta celebra os 30 anos de Io Donna com uma história sobre amizade e escolhas
Para marcar as três décadas de existência de Io Donna, nasceu um projeto cinematográfico que fala com delicadeza e inteligência sobre os dilemas contemporâneos das mulheres. O curta Freeze, realizado pelos alunos da Officine IED e dirigido por Niccolò Donatini, estreia no site de Io Donna em 28 de março e traz no centro da narrativa duas personagens de trinta anos que interrogam desejos, maternidade, tempo e autodeterminação.
Na posição de supervisor artístico esteve o cineasta Silvio Soldini, membro do comitê científico do IED. Em sua participação, Soldini define uma postura menos de comando e mais de vigilância empática: “Estive à disposição dos jovens”, resume, apontando que seu papel foi o de observador atento, pronto a orientar sem sufocar a energia autoral dos alunos. É um modelo de tutoria que valoriza a intuição geracional e o potencial de surpresa estético.
O que mais chamou a atenção de Soldini foi a centralidade da amizade entre as duas protagonistas, vividas por Valentina Romani e Celeste Dalla Porta. Segundo ele, uma das personagens faz à outra um presente que expande o alcance emotivo do relato, deslocando o enredo para uma esfera íntima onde decisões e impulsos se tornam matéria dramática. “As duas mulheres discutem o que querem da vida, seus desejos... temas complexos para os trintões de hoje”, observa o diretor.
O curta, porém, não é apenas um retrato geracional: funciona como um pequeno espelho cultural — a semiótica do viral aplicada ao universo feminino. Para Soldini, as mulheres enfrentam desafios adicionais no mundo do cinema. Embora nos últimos vinte anos tenha havido avanços — mais diretoras, diretoras de fotografia e editoras ocupando a estrutura técnica e criativa — a trajetória delas continua mais difícil em comparação aos homens. Especialmente para atrizes de maior idade, encontrar papéis é uma luta contra um imaginário social que enxerga o envelhecimento feminino como um problema.
“Gosto de trabalhar com muitas mulheres e de contá-las”, afirma Soldini, lembrando seu filme anterior, Le assaggiatrici, no qual sete mulheres ocupavam posições centrais. Essa escolha não é apenas estética: é um reframe do olhar sobre o feminino, uma insistência política na profundidade dos papéis. No set de Freeze, a experiência com Valentina Romani se deu em continuidade — já haviam colaborado em outro curta — enquanto Celeste Dalla Porta entrou como descoberta, trazendo frescor à química entre as personagens.
Freeze, portanto, faz um convite duplo: é celebração e questionamento. Celebra os 30 anos de uma revista que acompanhou transformações culturais, ao mesmo tempo em que coloca na tela o roteiro oculto da sociedade — as escolhas, as renúncias e os laços que nos definem. Em tempos de narrativas aceleradas, o curta propõe uma pausa sensorial, um pequeno ensaio sobre como a amizade pode reconfigurar desejos e possibilidades.
Disponível em 28 de março no site de Io Donna, Freeze é um exemplo de como a escola, o cinema e a imprensa podem convergir para produzir um eco cultural: um instante filmado que reflete, com elegância crítica, o que significa ser mulher, amiga e decisora no presente.