Tommaso Paradiso pede desculpas por microfone lançado em Nápoles: “Cantei mais de uma hora sem ouvir nada, estava frustrado”
Tommaso Paradiso pede desculpas após lançar microfone em Nápoles; afirma que cantou sem ouvir por mais de uma hora e descreve frustração no palco.
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Tommaso Paradiso pede desculpas por microfone lançado em Nápoles: “Cantei mais de uma hora sem ouvir nada, estava frustrado”
Por Chiara Lombardi, Espresso Italia
Mesmo residindo em Roma, Tommaso Paradiso confessa que é em Milão que construiu sua identidade musical — um verdadeiro “set” onde sua carreira tomou forma. Voltar à cidade para subir ao palco do concerto da Radio Italia, na sexta-feira à noite, tem para ele o peso simbólico de uma cena clássica do cinema: o retorno ao lugar onde o personagem descobriu a própria voz.
“É um palco que me emociona muito, numa praça entre as mais icônicas da Itália. Sou musicalmente um pouco ‘milanesizado’ e é a primeira vez que participo como solista, por isso tenho carinho especial por esse compromisso”, disse o cantor, cuja relação com a cidade é mais do que geográfica — é um mapa afetivo donde emergem memórias de palco e público.
Saindo da turnê pelos palazzetti, o músico admite que a estrada lhe deixou uma afirmação clara: “a vontade de voltar imediatamente. O palco é o lugar onde gosto de estar; é o meu trabalho e eu o amo”. Essa é a nota de amor que costura o relato do artista, mesmo quando o roteiro inclui momentos de tensão.
Nas últimas semanas, Tommaso Paradiso foi alvo de críticas nas redes após um vídeo em que aparece lançando um microfone no chão durante um show em Nápoles. A cena acendeu debates sobre limites do espetáculo e responsabilidade pública.
“Na vida fiz centenas de concertos e nunca tinha passado por uma situação assim. No palco, cada emoção é amplificada e, em Nápoles, devido a problemas contínuos nas minhas in-ears, cantei por mais de uma hora sem ouvir nada. Parei o show várias vezes e a frustração acabou me tirando a lucidez por um instante. Errei e me dei conta disso — pedi desculpas na hora”, relatou Paradiso.
Ele enfatiza que o gesto foi dirigido à sua própria passarela e não ao público: “Joguei o microfone na minha passagem, não em direção à plateia. Foi um ato de irritação e errado, mas não uma ameaça às pessoas. Nápoles sempre me deu um afeto imenso, e justamente por isso eu me senti tão mal por não conseguir oferecer o espetáculo que queria”.
Na análise de Tommaso, a situação é também um espelho do que acontece com artistas enquanto seres humanos: “Comparei aquilo ao tenista que arremessa a raquete; joguei tênis por anos e empatizo com esse instante de perda de controle. Eu condeno o gesto e me auto-condeno. As coisas mudaram desde os anos 70; hoje um personagem público precisa dar exemplo, sobretudo porque jovens com telefone registram tudo”.
Ao mesmo tempo, ele lembra que o palco é palco precisamente por ser um lugar de emoções extremas: “Assim como me emociono e rio com a banda, entre as mil emoções do ser humano também passa a raiva. Isso não deveria escapar, mas às vezes escapa”. A declaração funciona como um reframe: não uma justificativa, mas uma tentativa de traduzir o episódio para a semiótica do viral e da exposição pública.
Contrapondo o momento de tensão, o ponto alto da turnê foi a empatia do público. “Senti muito essa empatia; parecia o público do pré-pandemia, ali só para cantar e gritar junto. O que realmente me derrubou foi o amor por ‘I romantici’ — não esperava uma onda assim; toda vez eu me rompía em lágrimas. Essa música entrou no coração”.
Do pós-Sanremo em diante, ele reconhece uma trajetória de crescimento que se materializa tanto nos palcos maiores quanto na relação com o público. Eis um artista que, no caleidoscópio do entretenimento contemporâneo, revela as contradições do ofício: desejo de diálogo e exposição, responsabilidade e falibilidade humana. Como em um bom roteiro europeu, o incidente não apaga a cena final — apenas a torna mais complexa.
Paradiso segue, portanto, entre aplausos e críticas, lembrando que o espetáculo continua e que, mais do que nunca, o artista é também interlocutor de um tempo que observa e julga.