Tullio Solenghi revela luta para ter filhos: 'Foram sete anos difíceis' em entrevista a Ciao Maschio

Tullio Solenghi fala sobre sete anos de dificuldade para ter filhos, adoção e o papel de Laura em entrevista a Nunzia De Girolamo no 'Ciao Maschio'.

Tullio Solenghi revela luta para ter filhos: 'Foram sete anos difíceis' em entrevista a Ciao Maschio

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Tullio Solenghi revela luta para ter filhos: 'Foram sete anos difíceis' em entrevista a Ciao Maschio

Em uma conversa que mistura memória pessoal e a estética do palco comovente, Tullio Solenghi abriu o coração no sofá de Nunzia De Girolamo em Ciao Maschio, revisitanto um dos capítulos mais delicados de sua vida a dois: a dificuldade para conceber filhos.

O ator descreve um período marcado por silêncio e desejo: 'Foram sete anos longuíssimos', recorda, ao falar sobre como ele e Laura viviam a frustração do desejo parental. A constatação de ver amigos e familiares formando famílias – 'vendo casais ao nosso redor, meu irmão tendo filhos' – virou um espelho que refletia tanto esperança quanto dor.

Como em um roteiro onde o desfecho parecia incerto, houve uma virada: o casal havia decidido seguir o caminho da adoção de uma criança peruana e já havia feito a solicitação quando, surpreendentemente, Laura descobriu que estava grávida. 'Talvez tenha havido um desbloqueio psicológico', sugere Tullio Solenghi, apontando para a tênue fronteira entre mente e corpo em temas de fertilidade.

O relato não é apenas sobre um desejo pessoal, mas sobre a arquitetura íntima de um casal. Laura, segundo Solenghi, foi sempre 'o primeiro árbitro' de sua obra: 'o primeiro público, o primeiro teste... se ela sorria, era aprovado'. Essa frase entra como um flash de luz sobre a ideia de que o amor também funciona como curadoria; é a crítica mais honesta e, muitas vezes, a força que orienta escolhas artísticas e existenciais.

Ao longo da entrevista, Tullio Solenghi traça ainda o equilíbrio mantido entre vida privada e profissão, e como esse equilíbrio foi testado durante os anos do célebre Trio – formado por Massimo Lopez, Anna Marchesini e o próprio Solenghi. 'Nunca quis misturar o privado com a profissão', afirma, mas reconhece que Laura era, de certo modo, o termômetro do grupo: uma presença silenciosa que dava sentido ao espetáculo.

Sobre o fim do Trio, a lembrança é de dor e de continuidade humana: 'Não se separou um trio de amigos, mas um trio em cena... foi doloroso no início, mas permanecemos unidos por uma amizade sólida, até os últimos momentos'. É a lembrança de que o fim de uma encenação não apaga os vínculos que ela consolidou.

Na voz de Solenghi, o que emergiu foi uma narrativa que ultrapassa a esfera do entretenimento: é o retrato de como o desejo de ser pai pode reescrever trajetórias, afetar decisões e transformar relações. Em tempos em que as histórias pessoais encontram rapidamente espaço público, o depoimento do ator funciona como um reframe delicado sobre frustração, esperança e a resiliência que existe nas escolhas cotidianas.

Assistir a esse depoimento é como ver um close de cinema: o rosto do personagem revela, por entre as rugas e os sorrisos, a geografia de uma vida inteira – privada, artística e profundamente humana.