Vittoria Puccini: o espelho de Elisa di Rivombrosa e o reframe das relações que fazem mal
Vittoria Puccini reflete sobre a fama de Elisa di Rivombrosa, seu novo papel em Scuola di Seduzione e como muda relações que lhe fazem mal.
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Vittoria Puccini: o espelho de Elisa di Rivombrosa e o reframe das relações que fazem mal
Por Chiara Lombardi — Aos 20 anos Vittoria Puccini começou a atuar. Poucos anos depois, já se transformava em um fenômeno: a heroína romântica Elisa di Rivombrosa a catapultou para a fama. Nesta entrevista, a atriz italiana reflete sobre como esse papel foi totalizante e como sua trajetória a ensinou a redesenhar relações e a não tolerar aquilo que a faz mal.
Atualmente protagonista de Scuola di Seduzione, a nova comédia de Carlo Verdone disponível no Paramount+, Vittoria interpreta uma esposa negligenciada que sente ter perdido a própria visibilidade. “É um papel que, na sua simplicidade, conta o que muitas mulheres sentem: em muitas ocasiões nos desvalorizamos antes mesmo de tentar”, diz ela. O ponto de virada dessa mulher, continua Vittoria, é a capacidade de transformação — uma reinvenção que passa pelo encontro com uma coach improvável e pela coragem de se permitir caminhos mais autênticos.
Quando a pergunto se já se reconheceu na insegurança da personagem, a resposta é sincera: “Muitas vezes. Mas com a idade vem a consciência. E aprendi a me querer mais. O meu trabalho também ajudou: essa exposição contínua de certa forma obriga a não se fechar. Foi preciso aprender a cultivar relações que me fizessem bem — sobretudo amizades — e, quando percebo que algo me faz mal, eu mudo”.
A relação com Verdone foi descrita por ela com admiração: “Não via a hora de trabalhar com ele. É um homem generoso; me deixei guiar. Ele tem um toque especial na direção de mulheres, uma atenção minuciosa. Saí do nosso primeiro encontro com a receita: ele não erra uma”. A fala revela não só gratidão profissional, mas também a ideia de um diretor como diretor de atores que lê profundamente o caráter humano — como um roteirista do íntimo.
Sobre a súbita popularidade trazida por Elisa di Rivombrosa, Vittoria recorda a surpresa com carinho: foi tudo inesperado e, ao mesmo tempo, maravilhoso. Era mais tímida naquela época, mas já marcada por uma determinação firme na profissão. A fama, explica, não apagou sua busca por autenticidade — pelo contrário, obrigou-a a criar um sistema de defesa: selecionar amizades e afetos que alimentassem sua estabilidade emocional.
Além de Scuola di Seduzione no streaming, Vittoria estará nos cinemas em 7 de maio com Illusione, dirigido por Francesca Archibugi. Dois projetos diferentes que revelam a pluralidade de uma atriz que transformou um início meteórico em uma carreira duradoura, atravessando gêneros com a calma de quem dirige sua própria câmera interior.
Como observadora do zeitgeist, concluo que o percurso de Vittoria é como um bom filme europeu: em camadas, com cortes que revelam memórias e expectativas. Sua experiência mostra que a visibilidade pode ser tanto espelho quanto sinal de alerta — depende do roteiro que escolhemos seguir. E, quando uma relação entra em dissonância com o bem-estar, há sempre a coragem de mudar de cena.