Wilma Goich emociona ao recordar a filha Susanna: 'É duro, mas é preciso viver'
Wilma Goich lembra a filha Susanna, fala sobre música, o neto e a memória em momento emocionado no programa La volta buona.
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Wilma Goich emociona ao recordar a filha Susanna: 'É duro, mas é preciso viver'
Por Chiara Lombardi — Em uma conversa sincera e carregada de memória, a cantora italiana Wilma Goich voltou a lembrar da filha Susanna Vianello, morta em 2020, aos 49 anos, vítima de um tumor de pulmão. A artista esteve como convidada no programa La volta buona, onde falou sobre luto, música e o papel reparador da lembrança.
'É duro, mas é preciso viver e tentamos fazer isso da melhor forma', disse Wilma, em tom contido, lembrando o cotidiano que se reconstrói após uma perda irreparável. Essa declaração, ao mesmo tempo simples e radical, funciona como um refrão da resistência emocional — a mesma que vemos em muitos que, diante do abismo, escolhem transformar dor em presença.
A cantora explicou que encontra consolo no neto: 'O melhor para mim é meu neto, ele me distrai muito'. Essa figura jovem surge como uma espécie de cena luminosa dentro do enredo sombrio do luto — um pequeno personagem que altera o roteiro e devolve à protagonista a vontade de seguir adiante.
Em outro momento de franqueza, Wilma revelou ter escrito uma canção dedicada a Susanna: uma peça que descreveu como 'linda' e que espera, em breve, poder levar ao público. A imagem de uma mãe compondo versos para a filha funciona como metáfora do trabalho de lembrança: transformar lembranças em arte é, muitas vezes, o recurso último para manter alguém vivo na narrativa coletiva.
Wilma também contou sobre ter encontrado fotografias antigas de Susanna, e como revisar essas imagens permite reviver momentos com um sorriso. É nessa prática — abrir álbuns, tocar gravações, cantar uma música — que se produz um arquivo afetivo onde o falecimento não apaga a presença. 'Eu falo com prazer da minha filha, porque Susanna está aqui comigo, ela sempre está comigo', afirmou a cantora.
A apresentadora Caterina Balivo foi tomada pela emoção diante das palavras de Wilma. Com a voz embargada, Balivo disse: 'Que força que você tem, Wilma... como mãe eu te digo', sem conseguir concluir a frase entre lágrimas. Esse instante, capturado ao vivo, mostrou não só a fragilidade compartilhada entre entrevistada e entrevistadora, mas também o lugar do espetáculo televisivo como espelho do nosso tempo: uma cena pública onde o privado se torna ponte para empatia coletiva.
Ao observar esse breve, porém denso, depoimento, percebemos a semiótica do viral humano: não se trata apenas da notícia da perda, mas do modo como a memória é performada — por meio de música, fotografias e afetos geracionais. Wilma Goich, artista e mãe, modela sua dor em ação: compõe, fala, lembra. E, ao fazê-lo, oferece a quem acompanha uma estratégia para habitar a ausência sem apagar a presença.
Num país e numa era em que o entretenimento frequentemente reduz o sofrimento a manchete, esse momento com Wilma funciona como um reframing mais humano e complexo do luto: um roteiro onde a dor se encontra com a arte e com o cuidado intergeracional. A esperança contida na vontade de cantar a canção escrita para Susanna é, talvez, a cena mais íntima dessa narrativa — o gesto artístico que reconfigura a perda em resistência.