Zeudi Di Palma em 'Belve': como usou os €50 mil, as críticas à sua sexualidade e a tatuagem que chocou
Zeudi Di Palma em 'Belve' fala sobre o fundo de €50 mil, estudo de atuação, críticas à sua sexualidade e revela tatuagem polêmica.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Zeudi Di Palma em 'Belve': como usou os €50 mil, as críticas à sua sexualidade e a tatuagem que chocou
Na estreia da nova temporada de Belve, Zeudi Di Palma voltou a ocupar o banco quente do programa de Francesca Fagnani e trouxe uma entrevista que é, ao mesmo tempo, íntima e sintomática do nosso tempo. A ex-Miss Itália 2021 — hoje também reconhecida pelo seu alcance nas plataformas de streaming — falou sobre o fundo controverso de 50 mil euros arrecadados por fãs após sua participação no Grande Fratello, sobre as críticas à sua imagem pública e até sobre o tatuagem mais inusitada que já fez.
Quando Fagnani perguntou, sem rodeios, se o tal fundo havia chegado e o que ela havia feito com o montante, Zeudi foi direta: “Sim, chegou e eu usei da melhor forma possível”. Em vez de devolver o dinheiro, como cogitou inicialmente em meio a pressões externas, a modelo explicou que aplicou os recursos nos seus estudos de atuação — uma escolha que traduz uma lógica de investimento em capital cultural mais do que um gesto de autopromoção.
“No começo quis devolver: fui muito atacada”, contou a entrevistada, descrevendo a tensão entre a generosidade dos fãs e o escrutínio público. “Depois reflitei: você pode ajudar os outros e se ajudar com os estudos.” Há aqui um roteiro oculto da sociedade: o gesto de uma comunidade digital que transforma reconhecimento performático em suporte real, e o debate sobre legitimidade que se segue.
Fagnani, sempre incisiva, trouxe à tona as acusações de que Zeudi teria instrumentalizado sua sexualidade de forma estratégica para ganhar visibilidade. A resposta foi pessoal e contundente. A influenciadora explicou que o processo de descoberta e aceitação da sua homossexualidade foi longo, carregado de medos e “cadeias sociais”. “Me feriu muito”, confessou, afirmando que muitos críticos parecem incapazes de aceitar que alguém tão feminina possa ser gay.
Zeudi recordou que, aos doze anos, já tinha consciência de sua orientação, mas só com o tempo encontrou palavras e coragem para se declarar. Essa narrativa coloca em evidência como a recepção pública da identidade alheia ainda se apoia em imagens corporais e estereótipos: a mesma sociedade que celebra representações diversificadas demora a acolher identidades que quebram seus scripts.
A entrevista teve também um momento leve, quase de camaradagem: a negociação humorada sobre o preço de um tatuagem. Zeudi defendeu o valor da arte — “meus preços sempre foram altos, acho que a arte não tem preço” — e, entre risos, revelou qual foi o desenho mais estranho que já tatuou: “Uma vagina para o ex de Chanel Totti”. O comentário, além de provocar gargalhadas, funciona como um espelho do zeitgeist onde o íntimo e o público se cruzam constantemente.
Como analista cultural, vejo nessa conversa algo além do entretenimento: é um reframing da realidade sobre fama, solidariedade digital, identidade e propriedade do próprio corpo. A presença de Zeudi em Belve não é apenas mais um papo de celebridade; é um pequeno manifesto sobre quem tem direito de existir fora dos clichês.