Morre aos 100 anos Alan Greenspan, ex-presidente da Federal Reserve que marcou a economia americana

Morre aos 100 anos Alan Greenspan, ex-presidente da Fed; legado e controvérsias após a crise de 2008. Saiba mais sobre sua trajetória.

Morre aos 100 anos Alan Greenspan, ex-presidente da Federal Reserve que marcou a economia americana

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Morre aos 100 anos Alan Greenspan, ex-presidente da Federal Reserve que marcou a economia americana

Por Stella Ferrari — A economia perde uma figura central. Faleceu aos 100 anos o economista Alan Greenspan, histórico presidente da Federal Reserve, segundo comunicado da esposa Andrea Mitchell. Greenspan morreu por complicações decorrentes do mal de Parkinson; era casado com Mitchell há 29 anos.

Referência do liberalismo de mercado e voz influente nas praças financeiras, Greenspan comandou a Fed por 18 anos e meio, entre agosto de 1987 e janeiro de 2006, acumulando cinco mandatos — o primeiro indicado por Ronald Reagan — e figurando entre os governadores mais longevos da história do banco central norte-americano.

Nascido em 1926, filho de um corretor e analista financeiro, Greenspan cresceu em contexto modesto: recordava que, durante a Grande Depressão, recebia uma mesada de 25 centavos por semana, cujo valor simbólico ele sempre enfatizava. Antes de ingressar no mundo acadêmico e político, teve uma vida ligada à música: tocou clarinete e saxofone na banda de jazz de Woody Herman. Formou-se em economia na New York University, onde também concluiu mestrado até 1950, e obteve o doutorado apenas em 1977, aos 51 anos.

Greenspan assumiu o comando da central poucos meses antes da segunda-feira negra de Wall Street, em outubro de 1987, e esteve à frente durante a bolha e o estouro do segmento das empresas dot-com no início dos anos 2000. Uma de suas reflexões mais citadas — proferida em 1996 — tratava da dificuldade de identificar quando uma exuberância irracional inflaciona ativos além de sua substância e expõe mercados a correções abruptas, lembrando o exemplo japonês das décadas anteriores.

Durante anos, Greenspan transcendeu o papel técnico de um banqueiro central: sua voz funcionava como um eixo do motor da economia global, orientando expectativas, reduzindo incertezas e, por vezes, acelerando tendências. Sua retórica e autoridade eram uma espécie de calibragem de juros verbal — capaz de influenciar decisões de investimento e o humor dos mercados.

Contudo, a avaliação sobre seu legado mudou após a crise financeira global de 2008. O período de apogeu que marcou sua gestão foi reexaminado sob a luz dos riscos que se acumularam no sistema financeiro. Para muitos analistas, políticas de estímulo às finanças e uma leitura excessivamente favorável dos mercados contribuíram para fragilidades que explodiram na crise, forçando uma revisão crítica do papel desempenhado por Greenspan.

Independentemente das controvérsias, sua estatura histórica é inegável: foi um arquiteto de políticas cujo design moldou décadas de finanças e comércio nos Estados Unidos. Morre, aos 100 anos, um protagonista cuja trajetória ajudou a definir a engenharia das políticas monetárias modernas.

Em respeito à trajetória pública, muitas instituições financeiras e observadores de mercado já sinalizaram mensagens de pesar. O legado de Greenspan seguirá sendo objeto de debate entre estrategistas, reguladores e gestores que calibram hoje os freios fiscais e monetários para evitar novas rupturas.