Decisão da Procuradoria sobre Powell amplia trajetória de Kevin Warsh rumo à confirmação na Fed

Arquivamento da investigação sobre Powell abre caminho para Kevin Warsh; rendimentos do Tesouro caem e expectativa de cortes de juros sobe.

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Decisão da Procuradoria sobre Powell amplia trajetória de Kevin Warsh rumo à confirmação na Fed

Por Stella Ferrari — A recente decisão da procuradoria de arquivar a investigação penal sobre o presidente da Fed, Jay Powell, pode representar um ponto de inflexão decisivo na trajetória do indicado ao banco central, Kevin Warsh. Designado em 30 de janeiro, Warsh vê agora a via para a confirmação no Senado tornar-se sensivelmente mais suave, reduzindo um dos obstáculos políticos que vinha pesando sobre sua nomeação.

Alguns senadores republicanos, liderados por Thom Tillis (Carolina do Norte), haviam até então se manifestado contrários a apoiar a indicação em razão da investigação em curso, levantando dúvidas sobre a possibilidade de Powell permanecer à frente da Fed além de 15 de maio. Com o arquivamento, Tillis declarou publicamente que apoiará Warsh "uma vez que o Departamento de Justiça tenha arquivado sua investigação infundada sobre o presidente Powell que ameaça a independência da Fed".

No mercado financeiro os reflexos foram imediatos. Os rendimentos dos títulos do Tesouro recuaram, já que os investidores passaram a apostar numa confirmação célere de Warsh, o que, por sua vez, é visto como favorável a uma trajetória de juros mais baixos. O rendimento do título do Tesouro de dois anos, sensível às expectativas de política monetária, caiu 0,05 ponto percentual, para 3,79%.

Enquanto isso, Wall Street operou de forma mista, com negociações debilitadas também pela incerteza sobre a retomada das conversações entre EUA e Irã. Os operadores elevaram suas apostas em um corte de taxas ainda este ano, embora as probabilidades tenham sido precificadas em torno de 40%.

Warsh, ex-governador da Fed, precisa de 51 votos para garantir a confirmação no Senado, onde os republicanos detêm 53 assentos. Reconhecido por ter sido o governadormais jovem quando ingressou no Conselho em 2006 — cargo que ocupou até 2011 —, ele mantém redes de relacionamento influentes em Wall Street e nos círculos políticos de Washington. Entre seus apoiadores está Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, que tem reiterado confiança no perfil do indicado.

Do ponto de vista de posicionamento, Warsh é visto como um defensor de taxas relativamente mais baixas, mas também como uma escolha moderada e menos radical em comparação a outras alternativas. Isso sugere que, mesmo confirmado, sua atuação será parte de um sistema colegiado: o Comitê Federal de Mercado Aberto (FOMC), composto por 12 membros, decide a taxa de referência por maioria. Em outras palavras, a confirmação não equivale a poder unilateral para definir taxas de juros.

Por fim, a dinâmica macroeconômica adiciona complexidade ao tabuleiro. A inflação nos EUA subiu para 3,3% ao ano no mês passado — a leitura mais elevada em quase dois anos — o que pode tornar a tarefa de Warsh mais árdua ao tentar persuadir colegas da Fed a adotar um viés mais acomodatício. Em termos de metáfora: a nomeação de Warsh pode ter retirado um freio político, mas o motor da política monetária ainda precisa ser calibrado com cautela diante dos indicadores.

Em síntese, o arquivamento da investigação sobre Powell aliviou uma pressão política crucial e abriu espaço para que Kevin Warsh avance rumo à cadeira no banco central. Resta saber como sua visão, suas conexões e a realidade econômica — inflação em alta e um FOMC colegiado — irão modular a aceleração das tendências de política monetária nos próximos meses.