Austrália: 7 em 10 menores driblam proibição em redes sociais, aponta relatório da eSafety

Na Austrália, 7 em 10 menores contornam a proibição nas redes; eSafety aponta falhas nas verificações e abre investigações contra grandes plataformas.

Austrália: 7 em 10 menores driblam proibição em redes sociais, aponta relatório da eSafety

RESUMO ✦

Sem tempo? A Lili IA resume para você

Gerando resumo com IA...

Austrália: 7 em 10 menores driblam proibição em redes sociais, aponta relatório da eSafety

Por Stella Ferrari, Economist | Espresso Italia

Três meses após a entrada em vigor da proibição de acesso de menores às principais redes sociais na Austrália, o balanço divulgado pela autoridade reguladora eSafety revela uma máquina regulatória com falhas de calibragem. Em linguagem de engenharia de políticas, a norma teve boa intenção, mas a implementação mostra freios insuficientes e pontos de atrito que permitem ampla elusão.

Segundo o relatório, as plataformas removeram ou limitaram cerca de 4,7 milhões de contas até meados de dezembro de 2025, com mais 300 mil contas adicionadas ao total no início de março de 2026. No entanto, esse número não equivale ao total de menores efetivamente impedidos de usar os serviços. Muitos perfis eram inativos ou duplicados, e menores seguem criando ou mantendo contas explorando brechas nos sistemas de verificação de idade.

Uma pesquisa conduzida pela eSafety entre janeiro e fevereiro de 2026 com pais e responsáveis de crianças de 8 a 15 anos mostra que cerca de sete em cada dez jovens que já tinham perfil antes de 10 de dezembro de 2025 conseguiram mantê-lo ativo em ao menos uma das plataformas principais. As taxas por aplicativo registradas foram: 69,4% no Snapchat, 69,3% no TikTok, 69,1% no Instagram, 63,6% no Facebook e 48,5% no YouTube.

O relatório identifica duas fontes de vulnerabilidade. A primeira é a própria arquitetura de verificação das plataformas: 66,8% dos pais cujos filhos mantêm conta apontam que a plataforma nunca solicitou confirmação de idade. A segunda é a engenharia de elisão praticada pelos menores — sobretudo quando recebem comunicações das plataformas convidando a revalidar a idade. Nesses casos, jovens próximos do limite utilizam métodos com maior margem de erro, como estimativas faciais, obtendo resultado "16+" e preservando o perfil.

Outra vulnerabilidade técnica refere-se ao número excessivo de tentativas de verificação permitidas por algumas plataformas, e à aceitação de documentos ou procedimentos com baixa robustez. A eSafety formalizou investigações contra cinco grandes grupos tecnológicos, entre eles Facebook, TikTok e YouTube, para avaliar se medidas razoáveis foram adotadas para cumprir a nova obrigação. A autoridade terá até meados de 2026 para decidir eventuais ações executivas ou sanções.

Do ponto de vista de política pública e mercado, o caso australiano é instructivo: a regulação atuou como um motor de mudança, mas sem a calibragem fina nos mecanismos de verificação e fiscalização, a aceleração de resultados fica limitada. Para gestores e investidores, a lição é clara — a robustez tecnológica e a responsabilização das plataformas são componentes essenciais do design de políticas eficazes. Sem eles, a intervenção fica no nível de intenção, sem produzir a desaceleração prática do uso indevido por menores.

Em síntese, a proibição criou pressão e ferramentas de remoção, mas não foi suficiente para vedar o acesso de adolescentes. A autoridade reguladora agora testa os freios administrativos sobre grandes plataformas, numa disputa que terá implicações para governança digital e para o equilíbrio entre inovação e proteção.