Autovelox: multas recuam 10% e receitas municipais perdem fôlego, aponta Codacons
Relatório Codacons: receitas por autovelox caem 8,9% em 2025, com grandes variações entre cidades e impactos fiscais relevantes.
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Autovelox: multas recuam 10% e receitas municipais perdem fôlego, aponta Codacons
Por Stella Ferrari — Uma desaceleração nas coletas por controle eletrônico de velocidade redesenha o quadro das finanças municipais. Segundo o relatório do Codacons sobre as multas de trânsito de 2025, as sanções aplicadas por autovelox registraram uma queda que impactou os proventos das principais cidades italianas, com retração de 8,9% em relação a 2024.
O levantamento foi elaborado a partir da prestação de contas que os municípios devem enviar ao Ministério do Interior até o dia 31 de maio de cada ano. Nas 20 maiores cidades analisadas (excluindo Nápoles, que não havia apresentado dados até a data-limite), as receitas provenientes de multas por controle eletrônico somaram 56,5 milhões de euros em 2025, ou seja, 5,5 milhões a menos que os 62,1 milhões de 2024.
Na ponta da tabela está Florença, que liderou as entradas com 19,7 milhões de euros. Em segundo lugar figura Bolonha, com 9,2 milhões, seguida por Milão (6,9 milhões), Gênova (4,8 milhões) e Palermo (4,2 milhões). Esses números mostram como o uso estratégico dos sistemas de fiscalização pode alterar o fluxo de caixa municipal, funcionando tanto como uma calibração de política urbana quanto como um acelerador (ou freio) de arrecadação.
Contudo, o comportamento por cidade é heterogêneo. Algumas administrações viram um colapso nas receitas, enquanto outras registraram aumentos expressivos. Entre as quedas mais notáveis estão Roma, cujo rendimento com autovelox caiu de 4,8 para 2,3 milhões de euros (-52%), e Milão, que recuou de 10,6 para 6,9 milhões (-34,8%). Resultados extremos aparecem em Trieste (-94,4%), Bolzano (-84,2%) e Bari (-73%), conforme aponta o Codacons.
No outro lado do espectro, Ancona dobrou suas receitas com radares, saindo de 855 mil para 1,8 milhão de euros (+116%). Gênova e Cagliari também registraram subidas relevantes (+54% e +42%, respectivamente). Há ainda casos de municípios pequenos que transformaram um único ponto de fiscalização em fonte significativa de renda: Galatina, no Salento, arrecadou 5,3 milhões de euros em 2025, e, somando outros municípios da mesma área, o total chega a 9,3 milhões.
Um caso emblemático é o da conhecida estrada «Telesina», que garantiu 2,7 milhões de euros aos quatro municípios por onde passa. E existe ainda Colle Santa Lucia (província de Belluno): com pouco mais de 300 habitantes, esse pequeno município obtém mais de 2 milhões de euros entre 2021 e 2025 graças a um único autovelox, o que representa uma média de 5.989 euros por residente — um indicador claro de como dispositivos de fiscalização podem influenciar a base tributária local.
As mudanças regulatórias introduzidas em 2025 não foram suficientes para uniformizar o cenário. Para gestores públicos e investidores, este relatório funciona como uma peça de engenharia de políticas: revela onde o motor da arrecadação foi reduzido e onde houve aceleração. Em termos estratégicos, entender essas dinâmicas é essencial para calibrar receitas e projetar orçamentos municipais sem depender excessivamente de surtos pontuais de autossuficiência via multas.
Em suma: o mapa das multas por autovelox em 2025 mostra uma desaceleração média de 10% nas grandes cidades, com variações locais pronunciadas. A leitura cuidadosa desses dados permite aos conselhos municipais afinar suas decisões — como um engenheiro que reajusta a suspensão para obter a melhor performance em pista e em estrada.