Banco da França vende reservas de ouro nos EUA e registra mais-valia de €12,8 bi; 2025 fecha no azul
Banco da França vende ouro nos EUA, obtém mais-valia de €12,8 bi e fecha 2025 no azul; mudança visa LBMA e reduz riscos geopoliticos.
RESUMO ✦
Sem tempo? A Lili IA resume para você
Banco da França vende reservas de ouro nos EUA e registra mais-valia de €12,8 bi; 2025 fecha no azul
Por Stella Ferrari — A Banco da França confirmou a venda das suas reservas de ouro mantidas nos Estados Unidos, operação que gerou uma mais-valia de 12,8 bilhões de euros e permitiu fechar o exercício de 2025 com resultado positivo. A transação, além de impulsionar as contas financeiras, responde também a uma cuidadosa calibragem operacional das reservas do país.
Segundo o comunicado oficial, a remuneração extraordinária de 12,8 bilhões de euros compensa o déficit de 7,7 bilhões apurado ao final de 2024, resultando num superávit líquido de 5,1 bilhões para 2025. Em linguagem de gestão: a manobra realinhou o balanço como se fosse uma recalibragem do motor da economia, recuperando tração para o exercício seguinte.
Mais do que impacto contábil, a decisão tem um componente prático: a Banco da França está substituindo parte das suas barras por lingotes que atendam aos novos padrões internacionais da London Bullion Market Association (LBMA). A parcela de ouro guardada em Nova York era apontada internamente como prioridade nessa reposição.
O tema das reservas em solo americano voltou ao centro do debate nas principais autoridades monetárias europeias. Historicamente, manter ouro em Nova York é visto como uma forma rápida de acessar dólares em cenários de estresse — uma solução prática quando é necessário “ligar o gerador” da liquidez onde o dólar é emitido. No entanto, eventos geopolíticos recentes e posicionamentos do governo norte-americano aumentaram a percepção de risco: dirigentes de bancos centrais temem que toneladas de ouro depositadas em New York possam ficar vulneráveis a medidas unilateralistas.
Esse receio já está influenciando estratégias nacionais. A Itália, por exemplo, mantém 1.061 toneladas de ouro nos EUA — cerca de 43% do total das suas reservas — com o restante predominantemente no território italiano e pequenas quantias na Suíça e no Reino Unido.
Em paralelo, o quadro das instituições europeias mostra sinais de alívio: o Banco Central Europeu reportou perda de 1,25 bilhões de euros em 2025, uma redução expressiva frente aos 7,94 bilhões de 2024. A diminuição das despesas líquidas com juros e menores saldos TARGET ajudaram a limitar as perdas; o balanço do Eurosystem foi reportado em 6.293 bilhões.
Do ponto de vista estratégico, a operação francesa demonstra como reservas e liquidez são mais do que números — são componentes do design de políticas que asseguram estabilidade. A venda em solo americano e a troca por barras certificadas pela LBMA mostram uma gestão que une otimização financeira e mitigação de riscos geopolíticos. Em termos práticos, houve uma afinação técnica do portfólio, uma intervenção que atua como a calibragem fina de um motor: garante performance sem sacrificar segurança.
Enquanto bancos centrais redesenham a alocação física do metal, o mercado deverá observar com atenção os efeitos na liquidez e no preço do ouro. A operação francesa é um claro sinal de como decisões de alto impacto podem acelerar tendências e recolocar prioridades no tabuleiro da macroeconomia global.