Bolsas europeias recuam; petróleo Brent ultrapassa US$107 e pressiona juros

Bolsas europeias caem; Brent supera US$107 e pressiona juros. Destaques: inflação alemã, BTP em alta e resultados da Monte dei Paschi.

Bolsas europeias recuam; petróleo Brent ultrapassa US$107 e pressiona juros

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Bolsas europeias recuam; petróleo Brent ultrapassa US$107 e pressiona juros

Por Stella Ferrari — As bolsas europeias operaram em baixa, com uma ligeira reação positiva em relação à abertura, mas mantendo o tom de cautela que marcou a sessão. O índice Ftse Mib de Milão, que na véspera havia atingido os níveis mais altos desde março de 2000, retrocedeu 0,80% nesta sessão.

Londres e Paris registraram desempenho marginalmente melhor, enquanto Frankfurt exibiu queda um pouco mais acentuada. O movimento revela uma leitura fina do mercado, onde ganhos pontuais convivem com um sentimento geral de aversão ao risco.

O centro da atenção voltou-se para o mercado de energia: o petróleo Brent avançou quase 3%, ultrapassando os US$107 por barril. O aumento do preço do petróleo reacende temores sobre a inflação global e funciona como um desafio adicional à já delicada calibragem de juros das autoridades monetárias. No mercado de gás, o contrato negociado em Amsterdam subiu 1%, cotado a €46,8 por megawatt-hora.

Hoje às 14h30 (horário local) será divulgado o aguardado dado de inflação nos Estados Unidos — um termômetro decisivo para as expectativas de política monetária. Já na manhã de hoje veio a leitura alemã: a variação anual dos preços ao consumidor acelerou de 2,7% em março para 2,9% em abril. Simultaneamente, o índice ZEW de confiança econômica melhorou sete pontos, para -10,2 em maio, recuperando-se do mínimo de três anos de -17,2 em abril e superando as expectativas de mercado de -19,8.

O receio de pressão inflacionária empurrou os rendimentos dos títulos públicos para cima na Europa e nos Estados Unidos, refletindo o medo dos investidores de que os bancos centrais tenham de apertar ainda mais os freios fiscais via altas de juros. O rendimento do BTP italiano subiu 8 pontos-base, para 3,84%, enquanto o spread frente ao Bund alemão ampliou-se 2 pontos-base, para 76.

Os olhos do mercado também já se voltam para o encontro marcado na quinta-feira entre o presidente americano Donald Trump e o presidente chinês Xi Jinping — um evento que pode redefinir apetites por risco e redesenhar cadeias de oferta globais.

Na temporada de resultados, Banca Monte dei Paschi di Siena surpreendeu positivamente: o lucro líquido consolidado foi de €521 milhões, o que impulsionou o papel em +3%. A controlada Mediobanca também foi premiada, com alta de +2,93%. Entre os ganhos setoriais, destacam-se Avio (+2,14%) e Tenaris (+2,54%), este último beneficiado pelo desempenho do setor de petróleo.

Por outro lado, os principais recuos couberam a Nexi (-3,70%), Amplifon (-3,21%) e Leonardo (-3,04%).

Em síntese, a sessão foi marcada por uma combinação de fatores técnicos e fundamentais: o avanço do preço da energia como vetor inflacionário, leituras econômicas mistas na Alemanha e a iminência de dados dos EUA, todos compondo um cenário em que o motor da economia exige ajustes finos — não simplesmente aceleração ou frenagem, mas uma calibragem precisa das políticas e das expectativas do mercado.