Bolsas europeias recuam em abertura com olhos nos dados de emprego dos EUA e tensão no petróleo

Bolsas europeias abrem em queda; mercado monitora tensão EUA-Irã, petróleo Brent e dados de emprego nos EUA que podem redefinir cenários.

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Bolsas europeias recuam em abertura com olhos nos dados de emprego dos EUA e tensão no petróleo

Por Stella Ferrari — As bolsas europeias iniciaram o pregão em tom negativo, num dia em que o mercado calibra riscos externos e aguarda a leitura dos dados de emprego nos EUA. Investidores monitoraram com apreensão os confrontos entre Estados Unidos e Irã ocorridos na noite anterior, que impulsionaram momentaneamente o preço do petróleo Brent até cerca de 103 dólares por barril, antes de recuar para perto de 100,50 dólares — ainda sensível diante do pico semanal anterior de 114 dólares.

Em Milão, a Piazza Affari abriu em queda de 0,58%. Apesar da sessão fraca de ontem (-0,82%), o balanço parcial da semana ainda apontava para um ganho de cerca de 1,50% — reflexo de uma semana em que resultados trimestrais e geopolítica funcionaram como variáveis de alta volatilidade, exigindo uma constante calibragem do risco pelos gestores.

O cenário corporativo também pressionou os índices: ontem divulgaram resultados empresas como Poste Italiane, Pirelli, Enel, Campari e Tenaris. Na abertura de hoje, os destaques positivos ficaram para Tenaris (+1,82%) e Eni (+1,56%), enquanto as maiores retrações foram registradas por Leonardo (-2,95%), Unicredit (-2,23%) e Bper Banca (-2,14%).

Entre os pontos de atenção está a movimentação envolvendo Unicredit e a alemã Commerzbank. Em nota dura divulgada nesta manhã, o banco alemão avaliou que "o plano comunicado por Unicredit permanece vago e apresenta riscos significativos de execução, além de utilizar argumentos que desmerecem o valor da Commerzbank" — acusação que acende um alerta sobre incertezas de integração e sobre o preço a ser pago em termos de governança e potencial de crescimento.

Na esfera automotiva, apresenta-se um sinal de estratégias industriais e cooperação tecnológica: o grupo Stellantis e a chinesa Leapmotor anunciaram a intenção de ampliar sua parceria focada na produção de um novo C-SUV elétrico da Opel na fábrica de Saragoça, ao lado do modelo C-SUV B10 da Leapmotor, além do compromisso de reforçar o futuro do complexo de Villaverde, em Madrid. É um exemplo de como o design de políticas industriais e acordos privados podem acelerar a transição de capacidade produtiva, como um motor que precisa ser reafinadamente ajustado para entregar performance.

Na Ásia, as perdas foram diluídas ao longo do dia: Tóquio, Seul e Xangai fecharam praticamente no zero a zero, enquanto Hong Kong cedeu 0,60%. No balanço semanal, contudo, os mercados asiáticos mostraram força — com a bolsa sul-coreana registrando alta semanal de 13% e um avanço acumulado de 77% no ano, impulsionada por resultados robustos do setor de tecnologia. Após o fechamento foram divulgados resultados de gigantes como Toyota e Nintendo.

O foco macro do dia é o relatório de postos de trabalho não agrícolas nos Estados Unidos relativo a abril: a média de previsões aponta para a criação de 65.000 vagas, bem abaixo das 178.000 de março. Além disso, os mercados terão de incorporar as implicações da decisão da Corte americana que considerou ilegais os 10% de tarifas impostas por Donald Trump em fevereiro, conclamando que tarifas globais e generalizadas não encontram respaldo na lei citada pelo ex-presidente — um fator que redefine o mapa de risco do comércio internacional.

Do ponto de vista estratégico, convém permanecer prudente: a combinação de choques geopolíticos, volatilidade no preço do petróleo e dados macro americanos exige uma leitura dinâmica — é a calibragem fina entre aceleração e freios fiscais que determinará a direção do mercado nas próximas sessões.