Brent cai abaixo de US$71 com avanços nos diálogos entre Estados Unidos e Irã
Brent recua para US$70,82 com avanços nas negociações entre EUA e Irã; fluxo pelo Estreito de Ormuz dá sinais de recuperação.
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Brent cai abaixo de US$71 com avanços nos diálogos entre Estados Unidos e Irã
Por Stella Ferrari - 02/07/2026
O preço do petróleo registrou uma queda significativa e retornou aos patamares anteriores ao início do confronto entre Estados Unidos e Irã. A combinação de expectativas sobre um possível avanço nas negociações diplomáticas e sinais iniciais de normalização dos fluxos energéticos no Golfo Pérsico pressionou os mercados para baixo.
Na quinta-feira, o Brent desvalorizou mais de 1%, recuando para abaixo de US$71 por barril. Às 04:30 GMT, os futuros com entrega em agosto eram cotados a US$70,82, o nível mais baixo desde 27 de fevereiro. Esta correção traz novamente o indicador internacional do petróleo a valores pré-conflito: em relação ao pico observado após a eclosão das hostilidades — acima de US$126 por barril, registrado em 30 de abril — o Brent acumula uma queda superior a 38%.
O principal gatilho para a redução das cotações foram relatos sobre conversas indiretas entre Washington e Teerã, com o Qatar atuando como mediador. Autoridades do país mediador relataram "progressos positivos" nas negociações voltadas a definir pontos do memorando para o fim das hostilidades. O próprio Donald Trump declarou na quarta-feira uma leitura favorável do processo, afirmando que "a desnuclearização do Irã está progredindo bem".
A análise de mercado reforça o movimento: para Vandana Hari, fundadora da Vanda Insights, com sede em Singapura, a pressão descendente foi ajudada por um aumento gradual nos fluxos de petróleo a partir do Golfo e por um sentimento geopolítico cautelosamente otimista. Em entrevista à Al Jazeera, Hari lembrou que várias questões centrais do memorando ainda permanecem em aberto, mas que, por ora, houve uma atenuação do confronto em relação ao regime transitório do Estreito de Ormuz.
A consultora prevê que o crude poderá continuar em trajetória descendente enquanto o mercado absorve o acúmulo de barris que ficaram represados nos últimos meses, podendo inclusive entrar em fase de sobrevenda. A verificação decisiva, segundo ela, será quando a oferta no Golfo Pérsico se normalizar de fato e a balança entre oferta e demanda voltar a ser calibrada.
Outro indicador observado de perto pelos investidores é o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, rota que em condições normais responde por cerca de um quinto do comércio global de petróleo e gás natural liquefeito. Após os ataques a duas embarcações mercantes, ocorridos na quinta e no sábado anteriores, houve recuperação lenta: dados da MarineTraffic apontaram pelo menos 40 navios atravessando o estreito na terça-feira, ante 27 na segunda e 22 no domingo. Ainda assim, esses números permanecem muito aquém dos cerca de 130 trânsitos diários pré-conflito, refletindo preocupações persistentes com a segurança da rota.
Em síntese, o mercado reage hoje a uma combinação de afrouxamento dos riscos geopolíticos e de oferta gradualmente restaurada. A leitura é clara para gestores e investidores: enquanto as incertezas não forem definitivamente eliminadas, a volatilidade permanecerá — é como ajustar a calibração de um motor de alta performance: pequenos movimentos na pressão do combustível (oferta) e no sistema de ignição (geopolítica) podem gerar acelerações ou frenagens bruscas na dinâmica dos preços.
Como estrategista de mercado, mantenho vigilância sobre a evolução das conversas mediadas pelo Qatar, a velocidade de retorno dos fluxos pelo Estreito de Ormuz e os relatórios de estoque e embarques. Esses serão os instrumentos de diagnóstico que indicarão se a correção atual do Brent é uma simples desaceleração ou o início de uma nova fase estrutural de preços mais baixos.