Brent dispara 59% em março com fechamento do Estreito de Hormuz e pressiona preços globais
Brent sobe 59% em março após fechamento do Estreito de Hormuz; impacto eleva combustível e projeta Brent a US$110 no segundo trimestre.
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Brent dispara 59% em março com fechamento do Estreito de Hormuz e pressiona preços globais
Março ficará marcado como o mês da maior alta mensal já registrada para o Brent: o benchmark chegou a subir 59% desde 28 de fevereiro, data do início do conflito entre o Irã e navios na região, superando o recorde anterior de 46% observado em setembro de 1990 após a invasão do Kuwait. Analistas consultados pelo Financial Times apontam que os preços do petróleo devem permanecer elevados e podem subir ainda mais enquanto o conflito persistir.
O salto do Brent, o maior desde a criação do contrato futuro em 1988, tem escala inédita no sistema de referência moderno, embora seja inferior ao quadriplicamento dos preços entre outubro de 1973 e janeiro de 1974, quando o crude passou de US$ 2,90 para US$ 11,65 por barril por conta do embargo árabe aos Estados Unidos.
Os derivados registraram variações ainda mais pronunciadas: o querosene de aviação e o diesel quase dobraram desde o início do ano. Nos Estados Unidos, o preço médio da gasolina ultrapassou US$ 4,00 por galão (aprox. US$ 1,06 por litro) pela primeira vez desde 2022, quando a invasão russa já havia pressionado os mercados. O WTI, referência americana, avançou mais de 55% em março, seu maior ganho mensal desde o choque da pandemia em 2020.
A causa direta do choque de oferta foi a efetiva interdição do Estreito de Hormuz por parte do Irã, que ameaçou abrir fogo contra embarcações em trânsito. O estreito responde normalmente por cerca de um quinto do petróleo e do gás natural liquefeito comercializados no mundo. Morgan Stanley estima que a interrupção já retirou aproximadamente 300 milhões de barris da oferta global — o equivalente a quase três dias de consumo mundial — e descreve a disrupção como “muito mais grave” do que a provocada pela Rússia em 2022.
Fontes do Golfo não conseguiram transportar cerca de 10 milhões de barris e refinarias asiáticas, dependentes do fluxo do Oriente Médio, foram obrigadas a reduzir capacidade em torno de 2–2,5 milhões de barris por dia. Em sua última projeção, a Morgan Stanley elevou as estimativas do Brent para uma média de US$ 110/barril entre abril e junho e US$ 100/barril entre julho e setembro.
Especialistas advertem que os números atuais ainda não incorporam totalmente a amplitude das perturbações decorrentes da guerra: os preços podem continuar sua aceleração até que a demanda seja forçada a recuar. As liberações de reservas estratégicas, segundo Tamas Varga, analista do broker PVM, “não tiveram o impacto esperado”, assim como a flexibilização das sanções sobre o petróleo russo — e nem tampouco sobre o iraniano — conseguiu normalizar os fluxos.
Do ponto de vista macroeconômico, estamos vendo um cenário em que o motor da economia sofre uma forte subidas de custos energéticos, exigindo recalibragem de políticas e decisões estratégicas por parte de governos e empresas. Para gestores e investidores, a mensagem é clara: a volatilidade permanece alta e a calibragem de risco é agora parte da performance esperada.
Stella Ferrari, para Espresso Italia — análise de economia e mercado.