Cida pede mudança de rumo: menos pressão fiscal sobre quem sustenta a IRPEF e reforma do welfare
Cida: menos de 19% dos contribuintes sustenta quase dois terços da IRPEF; é urgente reformar o welfare e intensificar o combate à evasão.
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Cida pede mudança de rumo: menos pressão fiscal sobre quem sustenta a IRPEF e reforma do welfare
Stefano Cuzzilla, presidente da Cida, lançou um alerta direto ao coração do sistema tributário e social italiano: a atual redistribuição sem reciprocidade criou uma assimetria perigosa que compromete a justiça e a eficiência do Estado. Em dados apresentados no observatório Itinerari Previdenziali e comentados por Cuzzilla no Cnel, menos de 19% dos contribuintes arca, sozinho, com quase dois terços de toda a IRPEF.
Esse elevado grau de concentração do imposto convive com outro paradoxo: em 16 anos a despesa assistencial mais que dobrou, de 73 para mais de 180 bilhões de euros, sem que isso tenha produzido uma redução proporcional da pobreza. Para Cuzzilla, esse quadro demonstra que não basta redistribuir mais; é imprescindível redistribuir melhor, calibrando políticas e incentivos.
Na minha leitura, como economista com olhar de mercado, trata-se de uma questão de calibragem fina: se o motor da arrecadação está apoiado em uma base tão estreita, qualquer ajuste fiscal equivale a mexer na suspensão de um carro de alta performance — sem um desenho de políticas coerente, corre-se o risco de perda de tração. Por isso Cuzzilla defende um cambio di rotta que envolva três vetores simultâneos.
Primeiro, reduzir a pressão sobre quem já sustenta o sistema. A progressividade é princípio de equidade, mas não deve se converter em penalização permanente de quem trabalha, produz e declara integralmente seus rendimentos. Segundo, intensificar o combate à evasione, ampliando a base contribuinte e recuperando recursos desperdiçados. Terceiro, redesenhar o welfare para concentrar recursos em quem realmente precisa, ao mesmo tempo que promove caminhos para o trabalho e autonomia, ampliando a base de quem contribui.
Cida enfatiza que não se trata de reivindicar privilégios para os mais bem remunerados. Trata-se, sim, de garantir que quem cresce por meio do trabalho e da profissionalidade, e declara integralmente sua renda, não seja sistematicamente penalizado por perda simultânea de deduções, benefícios e serviços — o que pode gerar uma verdadeira armadilha de incentivos (a chamada "benefit trap").
Um welfare eficaz deve proteger os vulneráveis e, ao mesmo tempo, não criar desincentivos ao crescimento profissional. Para Cuzzilla, é necessário corrigir efeitos de soglia (limiares) que produzem saltos injustificados na carga líquida, tornando o sistema mais neutro e evitando discriminações entre rendimentos de trabalho dipendente e autônomo quando a capacidade contributiva é equivalente.
Como estrategista econômica, vejo essa proposta como uma recalibração entre performance fiscal e equidade social: reduzir os freios que hoje penalizam quem gera valor, sem abrir mão de mecanismos que assegurem justiça distributiva. A aceleração de tendências positivas passa por melhorar a governança do gasto social e afiar os instrumentos de combate à evasão — um projeto de engenharia fiscal que pede precisão técnica e coragem política.

