Calor antecipado e energia cara: gasto com ar-condicionado pode chegar a €400

Com calor antecipado e energia mais cara, gasto médio com ar-condicionado pode chegar a €400; ventilação adequada reduz riscos e custos.

Calor antecipado e energia cara: gasto com ar-condicionado pode chegar a €400

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Calor antecipado e energia cara: gasto com ar-condicionado pode chegar a €400

Com a chegada antecipada do calor — que já em maio trouxe alertas com bolhas vermelhas e laranjas de norte a sul da Itália — liga-se em massa o ar-condicionado. Resultado: um eletrodoméstico que, impulsionado pelos mudanças climáticas, tornou-se um aliado estratégico contra as ondas de calor, ao ponto de o número de condicionadores instalados em residências italianas mais do que duplicar nos últimos anos.

As estimativas da Sociedade Italiana de Medicina Ambiental (Sima), em parceria com a Velux, apontam que, para 2026, cerca de 60% das habitações privadas disporão de pelo menos um sistema de climatização — um salto diante dos 29,4% registrados pelo ISTAT em 2013. Porém, essa trajetória de adoção vem acompanhada de duas frentes críticas: a pressão sobre a fatura elétrica devido ao aumento dos preços da energia e os riscos à qualidade do ar interior quando a ventilação é negligenciada.

Segundo gestores de utilidades da Assium, a guerra no Médio Oriente elevou os preços da energia: a eletricidade subiu de aproximadamente €112/MWh em junho de 2025 para cerca de €132/MWh em junho de 2026. Na prática, essa spesa energética maior se traduzirá em contas domésticas mais salgadas — com estimativas de que a despesa média adicional para o uso do ar-condicionado possa alcançar os €400 por domicílio nesta temporada.

Além do impacto econômico, há um componente sanitário que exige atenção estratégica. Um estudo preliminar da Sima, em colaboração com a Velux Itália, analisou a dispersão de compostos orgânicos voláteis (VOC) em ambientes fechados. Os resultados são claros: em um espaço sem ventilação, a concentração de VOCs manteve-se significativamente elevada por muitas horas, retornando a níveis base apenas após cerca de 15 horas. Com ventilação mecânica, esse tempo reduz-se para aproximadamente 3 horas; com ventilação natural, o retorno aos valores iniciais ocorre em menos de 40 minutos.

"Esses dados revelam que a qualidade dos ambientes internos deve caminhar de forma estrutural ao lado da segurança energética", afirma Lorenzo Di Francesco, Public Affairs Manager da Velux Itália. Integrar luz e ventilação natural no design habitacional não é apenas conforto: é desenho de políticas e edifícios mais saudáveis, alinhados à realidade de quem passa a maior parte do tempo em ambientes fechados.

Do ponto de vista econômico, esse cenário exige uma calibragem fina: políticas públicas e incentivos devem funcionar como freios fiscais e motores simultâneos — reduzindo o custo para famílias vulneráveis sem frear a necessidade de eficiência energética e modernização do parque habitacional. Para o setor privado e gestores de energia, a lição é de calibragem: otimizar o uso de climatização com estratégias de ventilação, automação e melhorias de envelope térmico para amortecer o impacto das tarifas.

Em suma, estamos diante de uma dupla aceleração — do consumo de condicionadores e dos preços da energia — que exige resposta integrada. A boa notícia é que intervenções relativamente simples, como priorizar a ventilação natural e sistemas de ventilação mecânica eficientes, podem reduzir tanto riscos à saúde quanto a carga sobre as bollette. A aposta inteligente é tratar o problema como um projeto de alta performance: combinar design, políticas e comportamento para manter o motor da economia doméstica funcionando de forma eficiente e saudável.

Stella Ferrari, economista sênior — voz de economia e desenvolvimento da Espresso Italia.