Choque do petróleo por guerra no Irã pressiona a economia italiana, diz Confindustria
Confindustria: guerra no Irã eleva preço do petróleo e pode adicionar €21 bi aos custos energéticos das empresas italianas em 2026.
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Choque do petróleo por guerra no Irã pressiona a economia italiana, diz Confindustria
Por Stella Ferrari — O choque energético gerado pelo conflito no Médio Oriente, apontado no relatório de abril do Centro Studi Confindustria, já atua como um freio sobre o motor da economia italiana. A análise evidencia que o cenário econômico "piorou" e que o aumento do preço do petróleo tem efeitos tangíveis e imediatos sobre produção, consumo e expectativas empresariais.
Segundo o Csc, apesar de uma frágil trégua, o preço do petróleo permanece elevado, e isso já se reflete em diversos indicadores conjunturais. Há, não obstante, pontos de resistência: os investimentos mantêm suporte no primeiro trimestre de 2026, impulsionados pelas verbas do PNRR, representando uma espécie de calibragem temporária que atenua a desaceleração.
Os dados mostram uma dinâmica mista. No setor manufatureiro, a confiança das empresas de bens de equipamento permanece quase inalterada em março, após ganhos em janeiro-fevereiro. Na construção, a confiança cresceu pelo segundo mês consecutivo, impulsionada por expectativas de emprego, embora as perspectivas de novos projetos tenham se deteriorado.
No quarto trimestre, a taxa de poupança caiu para 7,8%, pouco acima do nível pré-pandemia. Em fevereiro, as vendas no varejo recuaram -0,2%, com maior impacto sobre os bens alimentares. Em março, os emplacamentos de automóveis subiram modestos +0,6%, porém a confiança do consumidor piorou de forma abrupta, o que pode elevar a poupança e frear os gastos já no primeiro trimestre.
A produção industrial cresceu apenas +0,1% em fevereiro, insuficiente para recompor a queda de janeiro (-0,6%); a redução acumulada no primeiro trimestre é de -0,5%. O PMI manufatureiro situou-se em 51,3 em março (de 50,6), tecnicamente em zona de expansão, mas sustentado em parte pelo acúmulo “precaucional” de estoques para antecipar novos aumentos de preço. A confiança das indústrias mostra ligeira recuperação, embora as expectativas de produção sofram uma brusca queda — sinal claro de que a guerra atravessa a cadeia produtiva.
O setor de serviços, que vinha acelerando no início de 2026 — com a despesa de turistas estrangeiros crescendo +6,3% em janeiro — registrou um revés em março: o Sp-PMI caiu para 48,8 (de 52,3), entrando em zona recessiva e refletindo redução de demanda. A confiança nos serviços subiu timidamente, mas as expectativas de pedidos pioraram.
Em termos de impacto direto nos custos, o Centro Studi Confindustria estimou cenários distintos: se o conflito se prolongar ao longo de 2026 e o petróleo fechar em média a US$ 140 por barril, os custos energéticos das empresas italianas poderiam subir cerca de €21 bilhões, elevando a incidência dos custos energéticos sobre a produção de 4,9% para 7,6% (+2,7 pontos percentuais). A projeção aplica os aumentos das commodities energéticas à estrutura de custos das empresas e sublinha o risco de perda de margem e competitividade.
O rápido inquérito sobre atividade industrial, aplicado entre 18 e 25 de março junto às grandes empresas associadas à Confindustria, confirma que as decisões de produção e estocagem já incorporam a incerteza sobre preços energéticos e possível desordem nas cadeias globais.
Como estrategista, observo que esta fase exige uma combinação de respostas: políticas públicas com foco em calibragem de juros e medidas de suporte temporário para investimentos, ao mesmo tempo em que empresas revisam a arquitetura de custos e aceleram eficiência energética — transformando um choque de oferta em oportunidade de reengenharia. A economia precisa reduzir a exposição externa ao preço dos combustíveis, afinando o design de políticas para manter a aceleração de tendências produtivas sem deixar que os "freios fiscais" comprometam a recuperação.