Choque nos custos energéticos: Confcommercio alerta para até €6.000 a mais em março para empresas do setor terciário
Confcommercio alerta: em março de 2026, empresas do setor terciário podem enfrentar subida de até €6.000 nas contas de energia por choque geopolítico.
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Choque nos custos energéticos: Confcommercio alerta para até €6.000 a mais em março para empresas do setor terciário
Por Stella Ferrari — A análise conjunta da Confcommercio com o CER (Centro Europa Ricerche) sinaliza um novo episódio de volatilidade nos mercados energéticos, com impacto direto sobre a fatura das empresas do setor terciário na Itália em março de 2026. As tensões geopolíticas vinculadas ao conflito no Irã e o papel estratégico do Estreito de Ormuz são o catalisador deste choque.
Segundo o estudo, a despesa média com energia elétrica das atividades terciárias pode subir 8,5%, passando de €20.521, média do primeiro bimestre de 2026, para €22.269 em março. No cenário piorativo, esse salto alcançaria 13,9%, com a fatura média subindo para €23.380 — um incremento agregado próximo a €2.853 por empresa. Em termos absolutos, alguns cenários projetam aumentos que ultrapassam os €6.000 quando se combinam eletricidade e gás.
O impacto sobre o gás é ainda mais pronunciado: no cenário-base a conta subiria 30% (de €7.833 para €10.181) e, no cenário adverso, 43,5% (atingindo €11.241), com um aumento médio agregado de até €3.408. Estes choques são sobretudo decorrentes das interrupções potenciais e da incerteza no fornecimento global, agravadas pela posição crítica do tráfego no Estreito de Ormuz.
Entrando em detalhe setorial, as estruturas mais expostas seriam os hotéis de porte médio (consumo médio de 230 mil kWh) e as grandes superfícies de venda (175 mil kWh). Para os hotéis, no pior cenário, a eletricidade pode representar um acréscimo de até €965 em março, com o gás elevando a despesa em mais de €1.200 mensais. Grandes superfícies veriam aumentos de aproximadamente €744 na eletricidade e €445 no gás.
Os impactos sobre micro e pequenas empresas, que compõem a espinha dorsal do comércio, também são relevantes: um bar com consumo médio de 17 mil kWh sofreria incrementos de cerca de €87 (eletricidade) e €196 (gás); um restaurante (31 mil kWh) enfrentaria cerca de €146 a mais na conta elétrica e €508 no gás. Lojas não alimentares (16 mil kWh) teriam impactos semelhantes aos dos bares.
Do ponto de vista estratégico, a Confcommercio defende a intensificação das medidas para conter a volatilidade: plena implementação do decreto bollette, intervenções urgentes para reduzir custos imediatos e políticas estruturais para proteger as micro e pequenas empresas. Entre as recomendações estão a aceleração de processos de agregação da demanda, permitindo que negócios menores acessem contratos de longo prazo e fornecimento de energia renovável, e a simplificação de investimentos em eficiência energética para reduzir a exposição a futuros aumentos.
Como estrategista, vejo esse choque como uma questão de calibragem de políticas: são necessários freios fiscais de curto prazo para amortecer o impacto e um desenho de políticas energéticas de longo prazo que funcione como um motor estável para a economia. Aceleradores como contratos coletivos de compra e incentivos à eficiência podem recuperar a tração das empresas afetadas, evitando que o aumento de custos se transforme em perda de capacidade competitiva.
Em resumo, a combinação entre riscos geopolíticos e estruturas de mercado expõe sobretudo quem tem menor margem de manobra financeira. A resposta deve ser dupla: medidas imediatas para mitigar o choque e reformas estratégicas para desacoplar o custo operacional das empresas da volatilidade internacional de combustíveis.