Consob: Freni desiste da presidência e abre caminho para Cornelli ou Alemanno
Freni retira candidatura à presidência da Consob; em destaque estão Federico Cornelli e Gabriella Alemanno como opções técnicas e de continuidade.
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Consob: Freni desiste da presidência e abre caminho para Cornelli ou Alemanno
Por Stella Ferrari — Em um movimento que altera a calibragem política em torno da supervisão dos mercados, o subsecretário do Tesouro e Economia, Federico Freni, retirou formalmente sua candidatura à presidência da Consob. A decisão, comunicada aos principais atores da maioria — a primeira-ministra Giorgia Meloni, o ministro da Economia Giancarlo Giorgetti e o líder da Lega Matteo Salvini — reabre o tabuleiro para nomes técnicos e de continuidade interna.
Freni havia sido indicado pelo Governo durante o Conselho de Ministros de 20 de janeiro, mas, segundo apurações, a falta de um consenso estável dentro da coalizão e vetos persistentes — especialmente por parte de atores de Forza Italia — pesaram na sua decisão. Fontes próximas à negociação citam também avaliações técnicas internas à própria Consob que teriam influenciado o recuo.
Com o passo atrás do subsecretário, voltam a ganhar força os nomes de dois antigos membros da autoridade: Federico Cornelli e Gabriella Alemanno. Ambos são vistos como opções capazes de assegurar uma transição de continuidade e estabilidade institucional: Cornelli pela sua longa experiência interna e conhecimento operacional, Alemanno pela sua trajetória técnica e independência percebida.
O episódio expõe a tensão entre a exigência de uma liderança técnica para a autoridade de mercado e as pressões da lógicas políticas tradicionais. Do lado de Forza Italia, a posição é clara: segundo o porta‑voz Raffaele Nevi, "é necessário um técnico de alto perfil porque deve ser evitada uma lottizzazione política della Consob. Não é contra o Freni, é para não colocar um político ali." A frase resume o medo de contaminação partidária sobre um órgão cuja credibilidade é motor da confiança dos investidores.
O mandato de sete anos de Paolo Savona chegou ao fim, deixando a vice‑presidência de emergência sob responsabilidade de Chiara Mosca. Entre os nomes que haviam sido ventilados anteriormente permanecem também Marina Brogi e Carlo Cottarelli, mas a retirada de Freni redireciona as atenções para soluções que conciliem técnica e aceitabilidade política.
No mesmo tabuleiro de nomeações, segue em circulação o nome de Guido Stazi para a Autorità Garante della Concorrenza e del Mercato, em substituição ao magistrado Roberto Rustichelli. A escolha das lideranças dessas autoridades será decisiva para a próxima fase: elas não são meros cargos, mas elementos de design de políticas que afetam a dinâmica do crédito, a proteção do consumidor e a integridade dos mercados.
Como estrategista de mercado, vejo esse episódio como uma recalibragem institucional necessária: a política afrouxa a marcha quando percebe risco de desgaste, e abre espaço — potencialmente — para nomes que mantenham o motor da economia funcionando sem saltos bruscos. Resta observar se a coalizão conseguirá transformar essa pausa em uma aceleração organizada na escolha de um presidente que garanta independência técnica e estabilidade institucional.