Consumo global de vinho cai 14% desde 2018; OIV aponta causas estruturais

Consumo global de vinho cai 2,7% em 2025; -14% desde 2018. OIV aponta mudanças de hábito, inflação e choques externos como causas.

Consumo global de vinho cai 14% desde 2018; OIV aponta causas estruturais

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Consumo global de vinho cai 14% desde 2018; OIV aponta causas estruturais

Por Stella Ferrari — A Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) confirma que o consumo de vinho recuou em 2025, refletindo uma mudança estrutural nos padrões de consumo e pressões econômicas que atuam como verdadeiros freios sobre a demanda. Segundo a entidade, o setor registrou uma queda de 2,7% no ano passado, para 208 milhões de hectolitros — um recuo acumulado de 14% desde 2018.

Na leitura da OIV, a dinâmica observada combina variabilidade climática, uma demanda em queda e crescente incerteza nas cadeias comerciais: fatores que exigem uma calibragem fina das estratégias de setor, semelhante à afinação de um motor para recuperar performance sob carga. "Esta evolução reflete a interação entre mudanças de longo prazo nos padrões de consumo e um contexto econômico mais difícil nos últimos anos", declarou o relatório anual.

O documento destaca a influência de transformações sociais e geracionais: o aperfeiçoamento dos estilos de vida, nova relação com o consumo de álcool e a proliferação de alternativas de bebidas têm desalinhado parte do consumo nos mercados maduros. Além disso, a pressão sobre o poder de compra decorrente de inflação e choques recentes reduziu a propensão ao gasto com bens discricionários, como vinho.

Dos dez maiores mercados mundiais, nove registraram volumes em queda. Três países tiveram papel preponderante no declínio global: a China, a França e os Estados Unidos. Nos EUA, o maior mercado em volume, o consumo caiu 4,3% em 2025, impactado pela redução do poder aquisitivo, menor consumo entre os jovens e maior competição entre bebidas alcoólicas. Na França, o consumo recuou 3,2%. Já na China, o tombo foi mais agudo: -13% em 2025 e -61% desde 2020, sinalizando elevada sensibilidade da demanda aos rendimentos e aos preços no país.

O setor também tem enfrentado uma sequência de choques externos desde 2020 — da pandemia às tensões geopolíticas, passando por perturbações comerciais e pressões inflacionárias — que reduziram a confiança do consumidor e comprimiram margens. Segundo a OIV, permanece difícil isolar o efeito relativo de cada fator sobre os volumes observados.

No lado da oferta, houve ligeiro crescimento da produção de vinho: +0,6% em 2025, para 227 milhões de hectolitros. Porém, esse aumento parte de um nível historicamente baixo em 2024. Trata-se do terceiro ano consecutivo de produção reduzida, resultado da volatilidade climática e de ajustes produtivos motivados pela fraqueza da demanda. Nas condições atuais, a organização avalia que níveis de produção abaixo da média não devem provocar escassez generalizada, mas sim uma redução de estoques — uma recalibração natural entre oferta e demanda.

Para os agentes do setor, o desafio permanece claro: recuperar o motor da economia do vinho exige ações coordenadas que vão desde inovação de produto e reposicionamento de mercado até estratégias de preço e foco em mercados em expansão. A adequação da oferta à demanda continuará sendo a peça chave da estratégia coletiva, em um cenário onde a eficiência operacional e a diferenciação de valor serão as linhas de força para retomar a aceleração de tendências positivas.