Caro dos combustíveis: Corte das accise perde força e governo estuda novos alívios

Corte das accise perde força diante da alta dos preços na origem; governo avalia novas medidas enquanto Meloni busca segurança de gás na Argélia.

Caro dos combustíveis: Corte das accise perde força e governo estuda novos alívios

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Caro dos combustíveis: Corte das accise perde força e governo estuda novos alívios

O impacto do aumento nos custos industriais — na fonte — dos combustíveis já está sendo sentido nos postos: o chamado caro dos combustíveis está corroendo, em boa parte, o efeito do corte das accise anunciado pelo Governo há poucos dias. A dinâmica de alta no preço bruto dos combustíveis está, na prática, a reduzir a eficácia da medida fiscal.

Comparando com os preços médios praticados antes da publicação do decreto, no domingo 22 de março o diesel na bomba caiu apenas 12,7 cêntimos de euro, apesar de um corte de 24,4 cêntimos nas accise; a gasolina apresentou uma queda de 15 cêntimos. Em outras palavras, grande parte do desconto fiscal foi absorvida pela elevação do preço de origem.

Ao observar a variação diária, o preço do diesel subiu de forma generalizada no domingo em relação ao sábado, enquanto a gasolina registrou apenas uma mínima redução regional (0,1 cêntimo no Molise). Se não houver novos atos do Executivo, o cenário mais provável é que, com o término dos efeitos do Decreto-Lei Carburanti em 8 de abril, os preços voltem a subir — uma aceleração indesejada no motor da inflação doméstica.

A Banco Central Europeia (BCE) tem acompanhado atentamente o efeito sobre a inflação e recomenda medidas pontuais e temporárias, calibradas para mitigar impactos específicos. A eventual prorrogação do alívio fiscal depende da identificação de recursos — tarefa que caberá ao ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, e que exige cuidadosa calibragem orçamentária.

Há pressão por extensão do desconto para categorias adicionais: autotransporte e pesca foram beneficiados, mas a agricultura ficou de fora, provocando reações do setor diante do risco de repasses ao preço da cadeia alimentar. Paralelamente, o decreto bollette segue seu trâmite no Parlamento após o confronto sobre o ETS na esfera europeia; entre as famílias, mantém-se a previsão de um bônus de €115 para titulares do bônus social, com possibilidade de ampliação.

No front da segurança energética — outro eixo crítico para preços e estabilidade — a primeira-ministra Giorgia Meloni fará uma visita à Argélia na quarta-feira com objetivo de reforçar fornecimentos de gás, ação que funciona como afinação do sistema diante dos riscos de oferta.

Enquanto as negociações e medidas políticas avançam, os preços nos postos continuam elevados: o preço médio do diesel atinge 1,976 € por litro e a gasolina 1,717 € por litro. Nas autoestradas, o diesel sobe para 2,045 €/litro e a gasolina para 1,781 €/litro. Em algumas regiões, o diesel self aproxima-se de 2 euros/litro — Campânia (1,995 €/l), Calábria (1,994 €/l) e Molise (1,990 €/l) — e a gasolina mais cara está na Basilicata (1,747 €/l).

O movimento de alta, segundo o Codacons, desfaz dia a dia parte do alívio das accise, resultando em um mancato risparmio estimado em €5,85 por um tanque de diesel completo. Do ponto de vista de estratégia econômica, trata-se de uma questão de design de políticas: é possível reduzir o impacto nos consumidores, mas a solução requer recursos e precisão técnica para não afetar a estabilidade fiscal.

Como observadora do pulso econômico, enxergo dois vetores a monitorar: a velocidade das cotações internacionais (o motor externo) e a capacidade de resposta orçamentária doméstica (os freios fiscais). A próxima semana será decisiva: decisões sobre prorrogação do corte, extensão a setores e medidas de compensação para famílias de baixa renda definirão se a atual perda de eficácia das accise pode ser recuperada ou se as cotações seguirão sua tendência de aceleração.