Cronologia da guerra comercial entre Estados Unidos e China: da escalada às tréguas de 2025

Cronologia das tarifas e acordos entre EUA e China (2018-2026): escalada, retaliações e a trégua de 2025 que reconfigurou o comércio bilateral.

Cronologia da guerra comercial entre Estados Unidos e China: da escalada às tréguas de 2025

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Cronologia da guerra comercial entre Estados Unidos e China: da escalada às tréguas de 2025

Por Stella Ferrari — A guerra comercial entre os Estados Unidos e a China traça uma trajetória de tensões, retaliações e acordos parciais que, desde 2018, tem testado a capacidade de ambos os países de calibrar medidas econômicas sem travar o motor global do comércio.

Tudo começou em 2018, durante a primeira presidência de Trump, quando, em 22 de janeiro, o governo americano anunciou a aplicação de tarifas de 20% e 50% sobre painéis solares e máquinas de lavar importados da China. O vai e vem continuou até janeiro de 2020, com a assinatura do acordo de "fase um", que promoveu uma redução tarifária e compromissos chineses de ampliar compras de produtos americanos.

Sob a administração de Biden, as tensões persistiram: tarifas chegaram a 100% sobre veículos elétricos, 50% sobre células solares e 25% sobre baterias para veículos elétricos, minerais críticos, aço e alumínio — uma calibragem agressiva de instrumentos de política comercial como se fossem freios fiscais aplicados por setores estratégicos.

Com a volta de Trump à presidência em 2025, a disputa acelerou. Em 1º de fevereiro de 2025, o governo americano elevou tarifas sobre bens chineses em 10%. A resposta de Pequim foi rápida: em 4 de fevereiro anunciou tarifas de 15% sobre produtos à base de carvão e GNL, e de 10% sobre petróleo bruto, máquinas agrícolas e automóveis de grande cilindrada.

Um mês depois, Washington aumentou novamente as alíquotas em mais 10%, levando algumas categorias a um total de 20%. Em 4 de março, a China impôs 15% sobre frango, trigo, milho e algodão originários dos Estados Unidos, e 10% sobre sorgo, soja, carne suína, carne bovina, pescado, frutas, verduras e laticínios norte-americanos — medidas que miravam a base industrial e alimentar, elementos sensíveis do sistema de oferta.

No dia 2 de abril de 2025, marcado pelo anúncio de novas tarifas globais americanas no denominado "Liberation Day", as alíquotas sobre produtos chineses foram aumentadas em mais 34%, acumulando, segundo a Casa Branca, uma tarifa efetiva de 54% sobre todas as importações chinesas nos Estados Unidos a partir da semana seguinte. Em alguns segmentos, o conflito tarifário chegou a picos de até 245%.

Um movimento de descompressão ocorreu em 12 de maio de 2025: os dois países concordaram em reduzir tarifas com vistas a aliviar as tensões. Os Estados Unidos aceitaram um nível médio de 30% sobre produtos made in China, enquanto a China recuou para tarifas de 10% sobre produtos americanos, com a promessa de reavaliar a situação após 90 dias.

Após o acordo de Genebra, em maio de 2025, as imposições recíprocas de Trump caíram de picos de 145% para cerca de 30% dependendo das categorias, e a China reduziu suas contramedidas de 125% para aproximadamente 10%. Persistem, contudo, sobretaxas setoriais em aço, alumínio, automóveis e categorias específicas.

Em outubro de 2025, as duas potências estenderam a "trégua" temporária por mais um ano, com vencimento previsto em novembro de 2026. A atenção agora concentra-se na possibilidade de prorrogação dessa trégua, especialmente diante da visita presidencial de Trump a Pequim, evento que busca transformar atrito em diálogo estratégico.

Curiosamente, apesar das barreiras tarifárias, as exportações chinesas para os Estados Unidos cresceram 11,3% em abril de 2026 na comparação anual — sinal claro de que a "máquina de exportação" chinesa manteve força e adaptabilidade, reduzindo a eficácia imediata das tarifas como freio total ao fluxo comercial.

Em resumo, o cenário é hoje mais distendido do que nos momentos de maior crise, mas permanece um sistema em que a guerra comercial funciona como um conjunto de engrenagens finamente ajustadas: cada aumento tarifário é uma mudança na calibragem que provoca resposta, e cada acordo é uma tentativa de reencontrar a marcha ideal entre competição estratégica e estabilidade econômica.