Decreto-Trabalho mira no salário justo: governo busca recursos para proteger rendas baixas

Governo prepara Decreto-Legge do Trabalho com foco no salário justo: formação para trabalhadores domésticos, ZES, combate ao caporalato digital e recursos até €1 bi.

Decreto-Trabalho mira no salário justo: governo busca recursos para proteger rendas baixas

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Decreto-Trabalho mira no salário justo: governo busca recursos para proteger rendas baixas

AGI — Uma das últimas ideias emergentes na preparação do Decreto-Legge do Trabalho é o reforço da formação e das proteções para os trabalhadores domésticos, incluindo garantias em caso de doença e maternidade. Fontes próximas ao dossiê informaram que a medida faz parte do pacote que o governo pretende apresentar em vista do Dl Primo Maggio, com expectativa de apreciação no Conselho de Ministros em 30 de abril.

O restante das intervenções confirmadas já havia sido antecipado nas últimas semanas: o capítulo das ZES — que deverá ter maior peso —, incentivos fiscais para estimular a contratação de mulheres e jovens, e uma ação direta contra o caporalato digital, visando assegurar remunerações compatíveis e maior segurança ao regular as plataformas, especialmente no que toca à intermediação que tende a pressionar os salários.

Na reunião convocada ontem à tarde pela premiê Giorgia Meloni em Palazzo Chigi, a expressão mais repetida foi exatamente "salário justo". Esse conceito foi apresentado como a aposta do governo, com a intenção declarada de superar a referência dos €9 do salário mínimo garantido proposta por opositores nos anos anteriores.

Para concretizar a meta do salário justo, a premiê solicitou um esforço financeiro adicional aos membros do Executivo, a fim de fornecer respostas tangíveis ao mercado de trabalho. Segundo participantes do encontro, houve avanços nas análises apresentadas pela Ragioneria Generale dello Stato, com a responsável Daria Perrotta levando relatórios sobre atribuições orçamentárias e recuperação de fundos.

Os trabalhos técnicos prosseguirão nos próximos dias. Partiu-se de uma dotação inicial de 500 milhões, com objetivo escalável para atingir entre 800 milhões e, no máximo, 1 bilhão. A direção política é clara: proteger os salários mais baixos é prioridade.

Outra novidade apontada no encontro foi o reforço do fundo novas competências, com a continuidade na valorização de formações qualificadas, mantendo deliberadamente fora do escopo imediato o tema da representação sindical para favorecer um diálogo pragmático com as partes sociais, que há meses negociam entendimentos com as associações patronais.

Entre os presentes à reunião estiveram, além da premiê, os vice-premiers Antonio Tajani e Matteo Salvini (este último em videoconferência), assim como o ministro da Economia Giancarlo Giorgetti. Fontes relatam que foram também estabelecidos contactos a respeito de medidas anti-crise previstas nas próximas semanas: o governo acompanha de perto a situação dos transportadores rodoviários, que cogitam bloqueios, e trabalha no caro da energia ante a expiração, em 1º de maio, da prorrogação do corte das impostos sobre combustíveis.

Em paralelo, a atuação em esfera europeia segue intensa: ontem, o vice-premier e líder de Forza Italia, Antonio Tajani, defendeu a suspensão do Pacto de Estabilidade, posicionamento pensado também em vista do encontro informal em Chipre.

Como estrategista macroeconômica observo que o Executivo tenta calibrar o motor da economia — entre incentivos e contenção de custos — para promover uma aceleração das tendências salariais sem comprometer a estabilidade fiscal. A disputa agora é por recursos e design de políticas capazes de traduzir o conceito de salário justo em efeitos reais sobre o rendimento disponível das famílias.