Donnarumma surge como favorito para comandar a fusão FiberCop–Open Fiber rumo à rede única nacional
Donnarumma é apontado como favorito para liderar fusão FiberCop–Open Fiber e viabilizar a rede única nacional, com apoio do MEF e diálogo com KKR.
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Donnarumma surge como favorito para comandar a fusão FiberCop–Open Fiber rumo à rede única nacional
Por Stella Ferrari – Acelerando na esfera estratégica do país, o projeto da rede única nacional avança após a renúncia de Stefano Antonio Donnarumma às suas funções em Ferrovie dello Stato. Seu nome ganhou força como candidato ao posto executivo na eventual fusão entre FiberCop — a entidade formada a partir dos ativos da antiga NetCo da TIM — e Open Fiber, a operadora independente criada em 2015 e hoje liderada pelo CEO Giuseppe Gola.
Trata-se de uma operação de desenho institucional e industrial que visa consolidar uma infraestrutura digital única capaz de cobrir todo o território, com possibilidade concreta de futura abertura de capital. Na prática, é uma recalibração do motor da economia digital italiano: reunir redes para ganhar escala, eficiência e atratividade para investidores.
O quadro acionário é intricado e decisivo. O fundo americano KKR detém 37,8% de FiberCop e tem direitos de nomeação e de veto mínimo sobre a escolha do CEO. Do outro lado, o grupo australiano Macquarie Asset Management participa com cerca de 40% do capital de Open Fiber. O Ministério da Economia (MEF), por meio da Cassa Depositi e Prestiti (Cdp), já é acionista relevante: 16% em FiberCop e 60% em Open Fiber.
Fontes próximas ao processo indicam que o MEF estuda, além da concentração das participações, a possibilidade de atrair players nacionais estratégicos — desde fundos de pensão e casse di previdenza, que administram aproximadamente 150 bilhões de euros em ativos no país, até grandes fundos de infraestrutura como F2i, o FSI (Fondo Strategico Italiano) e o Fondo Italiano d'Investimento. Essa combinação aponta para um movimento de natureza essencialmente nacional, cuja chave será a governança e o equilíbrio entre capital privado e interesses públicos.
Na configuração operacional, o nome de Stefano Donnarumma surge como favorito para liderar a gestão da nova companhia em um binômio com Massimo Sarmi, cotado para a presidência devido à sua longa experiência no setor de telecomunicações — com passagens por TIM, Poste Italiane e associações do setor. Outros nomes que aparecem no leque de possibilidades incluem Pietro Labriola (CEO da TIM e ex-proprietário da FiberCop), Marco Patuano (ex-CEO da TIM e da Cellnex) e Paolo Bertoluzzo (ex-Nexi). Há ainda o perfil técnico-administrativo de Francesco Soro, atual diretor-geral do Departamento de Economia do MEF, observado como uma alternativa de perfil institucional.
O processo, porém, depende de negociações delicadas com KKR — que detém prerrogativas sobre o comando executivo — e das decisões finais do MEF e da Cdp. Em termos práticos, será necessário calibrar interesses políticos, financeiros e industriais para que a transição ocorra sem rupturas, preservando eficiência operacional e criando valor para um eventual IPO.
Como estrategista que acompanha a convergência entre capital e infraestrutura, vejo esse movimento como uma necessária aceleração de tendências: integrar redes é otimizar ativos e reduzir custos fixos, mas exige governança robusta — um verdadeiro design de políticas e mercado que funcione como a caixa de câmbio de alta precisão de uma máquina complexa. A escolha do gestor certo, com apoio acionarial e visão industrial, será o ponto de partida para levar adiante um dos mais relevantes projetos de infraestrutura dos próximos anos.