Electrolux anuncia 1.719 demissões na Itália; Urso classifica plano como “irrecebível”

Electrolux anuncia 1.719 demissões na Itália; Urso exige novo plano com investimentos e inovação para proteger empregos e unidades produtivas.

Electrolux anuncia 1.719 demissões na Itália; Urso classifica plano como “irrecebível”

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Electrolux anuncia 1.719 demissões na Itália; Urso classifica plano como “irrecebível”

Por Stella Ferrari — A multinacional sueca Electrolux apresentou um plano industrial que prevê a redução de 1.719 postos de trabalho em suas operações na Itália, incluindo cortes em quatro unidades produtivas, o encerramento de um polo fabril e cortes também nas áreas de pesquisa e desenvolvimento. Trata-se de uma recalibração de força de trabalho que altera de forma substancial a capacidade produtiva da empresa no país.

O ministro das Empresas, Adolfo Urso, qualificou a proposta como "irricevível" e "inaceitável", tanto pela ausência de perspectivas industriais adequadas quanto pelas consequências sobre o mercado de trabalho. Urso exigiu que a empresa apresente alternativas que tutelen os trabalhadores e privilegiem investimentos e inovação.

As administrações regionais afetadas — entre elas as da Marche e do Friuli Venezia Giulia — reafirmaram a sua oposição ao plano. Os sindicatos, por sua vez, recusam qualquer negociação enquanto a ameaça das demissões não for retirada do processo, definindo o documento como uma "pistola à cabeça". Delegações de trabalhadores mantiveram-se mobilizadas diante do MIMIT durante as negociações.

No encontro entre as partes, a empresa comprometeu-se a apresentar um novo plano antes da retomada da mesa no MIMIT, programada para segunda-feira, 15 de junho. A Electrolux justificou a necessidade dos cortes apontando para dificuldades de competitividade em um contexto global complexo, em que o custo das matérias‑primas e da energia na Europa permanece substancialmente mais alto do que em outras regiões.

Os impactos por unidade seriam significativos: a unidade de Porcia passaria de 571 para 309 empregados (-262), Solaro de 615 para 398 (-217), Forlì de 683 para 345 (-338) e Susanega de 728 para 418 (-310). Em Cerreto d'Esi está prevista a fechamento da planta, que atualmente tem 170 profissionais, incluindo 81 operários. Além dos cortes na produção, estão previstos cerca de 725 postos eliminados em atividades de staff, inclusive em pesquisa e desenvolvimento.

Para fundamentar a sua posição, a Electrolux ressaltou diferenças de custo estruturais: o aço na Europa estaria cerca de 31% mais caro que na China e 27% mais caro que na Tailândia; o custo horário do trabalho na Europa Ocidental seria de aproximadamente €37, frente a €12 na Europa Oriental, €9 na Turquia e €5 em partes da Ásia; o custo da energia na Europa Ocidental alcançaria €204/MWh, comparado com €114 na Ásia e €77 na Turquia. Esses números, segundo a empresa, comprimem margens e tornam mais complexa a produção competitiva no mercado europeu frente a produtos importados.

Ouvido após a apresentação, o ministro Urso reforçou que é indispensável um novo plano industrial ancorado em investimentos, inovação, proteção das unidades produtivas e preservação do emprego. "Estamos prontos para fazer nossa parte", declarou, indicando que o governo atuará como parceiro para buscar soluções que preservem a cadeia produtiva.

Como estrategista que observa o motor da economia, enquadro este episódio como uma situação em que calibragens de políticas industriais e incentivos à inovação são os freios e o acelerador que podem evitar um desmonte produtivo. A habilidade das partes em traduzir pressões de custo em um desenho de políticas e acordos de reindustrialização será determinante para a manutenção da capacidade manufatureira e para a proteção do capital humano implicado.

O próximo capítulo desta negociação será decisivo: a apresentação do novo plano pela Electrolux e a mesa no MIMIT em 15 de junho. A conjugação entre proteção social, instrumentos de requalificação e alternativas de investimento deverá ser a pista de alta performance para evitar que a desaceleração se transforme em perda irreversível de ativos industriais.