Eurostat: Dívida pública da Itália sobe a 137,1% do PIB em 2025, atrás apenas da Grécia

Eurostat: dívida pública da Itália sobe a 137,1% do PIB em 2025; UE e zona euro também mostram leve alta nas pressões fiscais.

Eurostat: Dívida pública da Itália sobe a 137,1% do PIB em 2025, atrás apenas da Grécia

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Eurostat: Dívida pública da Itália sobe a 137,1% do PIB em 2025, atrás apenas da Grécia

Por Stella Ferrari — Os dados mais recentes divulgados pelo Eurostat desenham um quadro delicado para a arquitetura fiscal europeia, com a Itália registrando um aumento da dívida pública para 137,1% do PIB em 2025, ante 134,7% em 2024. O resultado mantém o país como o segundo maior devedor relativo ao produto interno na União Europeia, atrás apenas da Grécia, que recua para 146,1% do PIB (de 154,2%).

Em perspectiva continental, a dívida pública na zona do euro intensifica-se para 87,8% do PIB ao fim de 2025, contra 87,0% no ano anterior. No conjunto da União Europeia, o rácio sobe para 81,7% ante 80,7% — sinais de uma lenta aceleração das pressões fiscais que exigem calibragem fina nas políticas macroeconômicas.

Quanto ao déficit, a zona do euro vê uma ligeira redução do rácio para 2,9% do PIB em 2025, em comparação com 3,0% em 2024. No agregado da UE, o indicador permanece estável em 3,1%, o mesmo patamar do ano anterior. Praticamente todos os Estados-membros apresentam saldo deficitário em 2025, com exceção dos superávits reportados por Chipre, Dinamarca, Irlanda, Grécia e Portugal.

Os maiores desvios orçamentários são observados na Romênia, Polônia, Bélgica e França. Importante frisar que onze países, entre eles a Itália, mantêm-se acima do limiar dos 3% do PIB, limite convencional que atua como referencial de estabilidade — o mesmo tipo de freios fiscais que exige intervenção prudente do executivo.

No capítulo do endividamento, doze Estados-membros excedem o limiar de 60% do PIB. Os níveis mais baixos verificam-se em Estônia, Luxemburgo, Dinamarca, Bulgária, Irlanda, Suécia e Lituânia. Além da Grécia e da Itália, figuram entre os maiores rácios também França (115,6%), Bélgica (107,9%) e Espanha (100,7%).

Uma ressalva técnica relevante: os números de déficit de 2025 difundidos pelo Eurostat não incorporam eventuais aumentos decorrentes de despesas com defesa para os países que ativaram a cláusula nacional de derrogação no Pacto de Estabilidade. Em termos práticos, trata-se de fatores que podem alterar a dinâmica fiscal em curto prazo e pedir nova calibragem de políticas públicas.

Do ponto de vista estratégico — e retomando uma metáfora de engenharia que prefiro ao falar de macroeconomia —, os relatórios indicam que o motor da economia europeia requer ajustes de combustível e transmissão: ajustes de política orçamentária e monetária precisam ser feitos com precisão para evitar perda de tração. Para a Itália, a combinação entre elevado estoque de dívida e déficits persistentes lembra a necessidade de uma gestão de risco sofisticada, onde políticas de crescimento estruturais são tão decisivas quanto a contenção de gastos.

Concluo que os dados do Eurostat formam um chamado claro à ação coordenada: a dívida pública em patamares elevados reduz a margem de manobra para investimentos de alto impacto e exige uma estratégia de longo prazo que combine sustentabilidade fiscal com estímulos dirigidos à produtividade.