Inteligência artificial conquista artesãos: 1 em 3 pequenas empresas já usa IA

35,6% dos artesãos já usam inteligência artificial; CNA Padova e Rovigo promove formação e workshops para ampliar adoção e capacitação.

Inteligência artificial conquista artesãos: 1 em 3 pequenas empresas já usa IA

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Inteligência artificial conquista artesãos: 1 em 3 pequenas empresas já usa IA

Por Stella Ferrari — A penetração da inteligência artificial no universo das oficinas e microempresas está acelerando como um motor que ganha rota em uma estrada de alta performance. Dados da pesquisa realizada por CNA Padova e Rovigo mostram que 35,6% das empresas associadas já utilizam pelo menos uma tecnologia baseada em IA, uma evolução notável em relação aos 5,2% registrados há aproximadamente 18 meses e muito acima do 6,9% apontado pelo ISTAT em 2024 para empresas com 10-49 empregados.

Essa expansão não se limita a aplicações pontuais: entre as empresas que adotaram soluções de inteligência artificial, 19,2% declaram utilizar mais de uma ferramenta, indicando um movimento que ultrapassa o uso básico de chatbots e IA generativa. A trajetória de adoção sugere uma calibragem contínua — semelhante ao ajuste fino em um motor de alto rendimento — onde as empresas buscam integrar várias soluções para ganho real de produtividade.

O potencial de expansão permanece significativo: mais 15,4% das empresas estão avaliando a introdução de soluções de IA, enquanto 49% ainda não iniciaram nenhum processo de adoção. As barreiras identificadas são claras e técnicas. A principal é a dificuldade em compreender as aplicações concretas da tecnologia, apontada por 36% das empresas, seguida pela falta de competências internas — um gargalo mencionado por cerca de duas em cada cinco empreendimentos.

Há, contudo, uma demanda latente por qualificação. O relatório revela que 70,5% das pequenas empresas participariam de iniciativas de formação sobre IA. Pelo menos metade das empresas demonstrou interesse em convenções para aquisição de software e serviços especializados, consultorias personalizadas e ferramentas para acesso a incentivos financeiros. Em resposta, a CNA Padova e Rovigo lançou um programa de informação e capacitação direcionado ao tecido produtivo local.

Após encontros realizados em 26 e 28 de maio focados em casos de uso da IA generativa, haverá um laboratório prático em 9 de junho no InnovaHub de Pádua, limitado a 15 empresas associadas, para testar aplicações em áreas produtivas, de projeto e gestão. Um segundo workshop, agendado para 15 de junho, abordará o uso da IA em atividades administrativas, organizacionais e na gestão de comissões.

Segundo Luca Montagnin, presidente da CNA Padova e Rovigo, o interesse crescente pela inteligência artificial reflete a capacidade de adaptação do sistema artesanal às inovações tecnológicas. As expectativas das empresas são pragmáticas: 81% esperam economia de tempo, 35% visam a eliminação de tarefas repetitivas, 26,1% apontam aumento da competitividade e 23,7% aguardam melhoria na inovação de produtos e processos.

Do ponto de vista estratégico, a disseminação da IA entre os artesãos e as pequenas empresas é um exemplo de como o design de políticas públicas e a calibragem de iniciativas privadas podem atuar como freios ou aceleradores. A próxima etapa é transformar interesse em capacidades concretas: é preciso investimento em formação, parcerias industriais e acesso a serviços que funcionem como cúspide tecnológica para este segmento essencial ao motor da economia.