A idade média da aposentadoria sobe para 64,7 anos; persistem desigualdades de renda entre homens e mulheres
Idade média de aposentadoria sobe a 64,7 anos; gap de renda entre homens e mulheres atinge 34% e pressiona sustentabilidade previdenciária.
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A idade média da aposentadoria sobe para 64,7 anos; persistem desigualdades de renda entre homens e mulheres
Por Stella Ferrari — O motor da economia italiano mostra nova marcha: a idade média de aposentadoria em 2025 avançou para 64,7 anos, contra 64,5 em 2024 e 61,7 em 2012. É o retrato — com peças bem calibradas e algumas folgas — apresentado pelo 25º Relatório Anual do INPS, que desenha a fotografia de um sistema previdenciário estável em números absolutos, porém ainda tensionado por desigualdades estruturais.
Os dados apontam um benefício médio bruto mensal de €1.906. As pensões antecipadas apresentam valor médio superior (€2.162), reflexo de carreiras mais longas; as pensões por invalidez chegam em média a €1.130, enquanto as pensões de velhice situam-se em €1.035.
Ao final de 2025 havia 16,4 milhões de pensionistas na Itália — número essencialmente estável. Mas o perfil demográfico do mercado de trabalho mostra um claro envelhecimento: entre 2019 e 2025, os jovens de 18 a 34 anos cresceram em número de empregados (+850 mil) apesar de haver redução da população nessa faixa etária (-230 mil). Em contrapartida, os trabalhadores seniores (55–70 anos) aumentaram tanto em população de referência (+1,32 milhão) quanto em ocupação (+1,16 milhão). Essa combinação de fatores age como uma acelerada de tendências, exigindo uma cuidadosa calibragem de políticas e de incentivos à produtividade.
Em 31 de dezembro de 2025, dos 16,4 milhões de pensionistas, cerca de 8 milhões eram homens e 8,4 milhões mulheres. Ainda assim, permanece um expressivo gap de renda: o rendimento médio das mulheres é aproximadamente 34% inferior ao dos homens. No agregado, o montante bruto das pensões pagas soma cerca de €371 bilhões, contra €347 bilhões em 2023. Embora as mulheres representem a maioria dos pensionistas (51%), recebem apenas 44% dos rendimentos previdenciários — €163 bilhões ante €207 bilhões destinados aos homens.
O presidente do INPS, Gabriele Fava, sintetizou com precisão: “As pensões de hoje contam as carreiras de ontem. As pensões de amanhã contarão o trabalho de hoje.” Em minha leitura, essa frase denuncia o ponto central da discussão: o divórcio entre mercado de trabalho e equidade previdenciária não nasce na contabilidade, nasce nas trajetórias laborais — carreiras fragmentadas, salários mais baixos, maior incidência de part-time feminino, maternidade e interrupções contributivas.
Do ponto de vista macro, os números mostram outro aspecto crítico: as retribuições nominais cresceram, mas perderam poder de compra, pressionadas pela inflação e por uma estagnação salarial estrutural que remonta aos anos 1980. Para assegurar sustentabilidade intergeracional, a política pública deve operar não apenas como freios fiscais, mas como projeto de redesign: integrar emprego jovem, igualdade de gênero e estímulo à produtividade, para que a estrutura de pensões volte a andar com o motor afinado.
Conclusão: os indicadores confirmam um sistema que mantém sua massa de beneficiários e um custo crescente em termos absolutos, mas que exige políticas de longo prazo — tributárias, laborais e de formação — para reduzir o gap de gênero, aumentar a continuidade contributiva e preservar a capacidade de compra dos rendimentos. A tarefa é técnica e estratégica: transformar receitas de gestão em desenho de políticas que sustentem crescimento e equidade.