Marcinelle: Paolo Capone (UGL) pede transformação da memória em compromisso concreto pela segurança no trabalho

Paolo Capone (UGL) pede transformar a memória de Marcinelle em compromisso concreto por segurança no trabalho e uso da inovação para prevenção.

Marcinelle: Paolo Capone (UGL) pede transformação da memória em compromisso concreto pela segurança no trabalho

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Marcinelle: Paolo Capone (UGL) pede transformação da memória em compromisso concreto pela segurança no trabalho

Marcinelle, 70 anos depois: a lembrança da tragédia que ceifou 262 vidas — entre elas 136 italianos — deve mover ações práticas. Foi essa a mensagem central de Paolo Capone, Secretário-Geral da UGL, presente nas cerimônias de memória do desastre que marcou a história dos trabalhadores e, a partir deste ano, passa a ser lembrado também como a primeira Giornata europea em memória das vítimas dos acidentes de trabalho e pela tutela da dignidade dos trabalhadores.

Em tom firme e com a objetividade de quem entende de design institucional, Capone sublinhou que, embora muito tenha sido feito para aperfeiçoar a saúde e a segurança no trabalho, os ganhos alcançados ainda são insuficientes. "São demasiados os trabalhadores que não voltam para casa — uma ferida que a sociedade não pode aceitar", declarou. Para ele, a memória não pode ser apenas cerimônia: precisa ser traduzida em políticas, recursos e prática cotidiana.

O apelo do líder sindical foi direto: intensificar medidas de prevenção mediante um esforço coordenado entre instituições, partes sociais e empresas; alocar mais recursos à difusão da cultura de segurança; e elevar a qualidade da formação contínua. Capone enfatizou, com a precisão de quem faz calibragem de políticas, que a segurança deve ser tratada como um direito efetivo, alinhado ao artigo 1º da Constituição italiana, que coloca o trabalho como fundamento da República.

Além disso, destacou a oportunidade de acelerar a modernização dos mecanismos de controle. "É preciso aproveitar plenamente a inovação, incluindo a inteligência artificial, para reforçar fiscalizações, promover a partilha de bases de dados entre entidades competentes e desenvolver instrumentos de prevenção cada vez mais eficazes", afirmou. A proposta ressoa como uma estratégia de engenharia aplicada à prevenção: integrar dados, automatizar sinais de alerta e construir redundâncias que atuem como freios antes que a falha aconteça.

Na perspectiva de mercado e política, a fala de Capone funciona como um diagnóstico e um roteiro: transformar memória em investimento em segurança é também uma forma de proteger o motor da economia. Empresas que internalizam essa prioridade elevam sua produtividade e reduzem custos sociais, enquanto o país fortalece sua reputação e sustentabilidade produtiva.

Consciente das complexidades institucionais, o líder da UGL concluiu com um chamado à ação coordenada. A data de 8 de agosto, agora também assinalada na Europa, deve servir como ponto de partida para uma aceleração de tendências: mais formação, melhores sistemas de controle e uma cultura organizacional que coloque a dignidade do trabalhador no centro do projeto econômico.

Este posicionamento reafirma a obrigação coletiva de transformar lembrança em política pública e prática empresarial. Só assim a tragédia de Marcinelle se converterá em lição definitiva, reduzindo tragédias futuras e preservando vidas.