Mercado imobiliário de luxo na Itália: Milão lidera com até €27.000/m² e demanda sobe 6,3%
Relatório Engel & Volkers/ Nomisma aponta Milão no topo com até €27.000/m²; demanda de luxo cresce 6,3% em 2025 na Itália.
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Mercado imobiliário de luxo na Itália: Milão lidera com até €27.000/m² e demanda sobe 6,3%
Mercado imobiliário de luxo em boa forma: o segmento de alta gama na Itália registrou aceleração em 2025, com a demanda crescendo 6,3% e os preços avançando entre 1,3% e 1,9%. São dados do "Market Report Italia 2026", divulgado pela Engel & Völkers Itália com suporte científico da Nomisma, que confirma a resiliência do setor premium em meio a um cenário macroeconômico que exige calibragem fina das políticas e estratégias de investimento.
O relatório evidencia que o segmento de pregio continua a se posicionar como um motor de atratividade, alimentado por uma base sólida de compradores nacionais de elevada capacidade financeira e por um fluxo consistente de compradores internacionais interessados em destinos lifestyle — áreas rurais de elevado valor paisagístico, cidades de arte e localidades costeiras. Em termos de preço, Milão se destaca como epicentro: registros apontam picos de até €27.000 por metro quadrado em localizações excepcionais.
A composição das aquisições apresenta nuances regionais relevantes. No Norte, a compra da primeira casa representa cerca de 50% das transações de luxo (50% no Noroeste e 51% no Nordeste). No Centro, as segundas residências têm ligeira vantagem, com 42% das compras contra 41% destinadas à primeira moradia. Já no Sul e nas ilhas, destaca-se a maior parcela de aquisições voltadas ao investimento (23% do total), com participação estável das primeiras (40%) e segundas residências (37%).
Os compradores estrangeiros concentram-se especialmente no Centro da Itália, alcançando 52% das aquisições nessa área — predominantemente vindos do restante da Europa (59%) e da América do Norte. Nas demais regiões, prevalecem os compradores domésticos: 72% no Norte e 59% no Sul e ilhas. Milão, como centro financeiro e cultural, continua a atrair tanto compradores italianos quanto investidores (representando 20% das transações locais) e um fluxo relevante de compradores internacionais. Para imóveis novos ou recentemente renovados em Milão, os preços médios situam-se entre €10.000 e €23.000/m².
No segmento de resorts e destinos de montanha, a Valle d'Aosta e Courmayeur consolidam a tendência de valorização no pregio, com preço-teto em torno de €20.000/m² e faixa média entre €15.000 e €18.000/m². Na Ligúria, Santa Margherita Ligure e Portofino mantêm posição de alta gama, alcançando aproximadamente €25.000/m². Veneza registra picos de €20.000/m², enquanto Cortina d'Ampezzo atinge até €24.000/m².
No centro do país, a Ilha de Elba apresenta preços até €10.000/m², sendo destino preferencial como segunda casa (45%) — padrão semelhante a Florença. Em Roma, o top price chega a €12.000/m², com uma faixa média entre €6.000 e €10.000/m²; a procura na capital privilegia imóveis reformados, com forte demanda por terraços, eficiência energética e disponibilidade de estacionamento.
O Sul e as ilhas mantêm seus pólos de luxo: a Sardenha, especialmente a Costa Smeralda, registra valores que podem alcançar €47.000/m², seguida por locais icônicos como Amalfi e Capri. Nápoles aparece como escolha majoritária de compradores italianos (cerca de 85%), com forte preferência por aquisições de primeira residência.
Em síntese, o relatório revela um mercado premium que se comporta como um motor de performance: há aceleração de tendências em destinos estabelecidos e emergentes, com compradores nacionais e internacionais calibrando suas carteiras frente aos sinais macro. Para investidores e players institucionais, a recomendação é afinar a estratégia — ajustar a alavancagem, observar a localização e priorizar atributos como eficiência energética e amenidades — para tirar partido desse ciclo de valorização sem perder a disciplina de risco.
Stella Ferrari — Economista Sênior, Espresso Italia