Milão recua com indecisão nas bolsas; mercado aguarda sanções dos EUA ao Irã e resultados da Nvidia
Milão recua 0,34% enquanto mercados acompanham sanções dos EUA ao Irã, queda do Brent e resultados da Nvidia; tecnologia em foco.
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Milão recua com indecisão nas bolsas; mercado aguarda sanções dos EUA ao Irã e resultados da Nvidia
Início de semana marcado por direção incerta nas praças europeias: a Bolsa de Milão recuou 0,34%, acompanhada por quedas em Frankfurt (-0,28%) e Paris (-0,43%), enquanto Londres, Amsterdã (+0,25%) e Madrid (+0,50%) mantiveram leve alta. O humor dos investidores segue condicionado por decisões comerciais e por um calendário intenso de eventos macro e corporativos.
Nos fundamentos que pressionam os mercados, a administração Trump confirmou sobretaxas de 50% sobre automóveis e aço canadenses a partir de 1º de janeiro, um movimento que atua como um dos freios à confiança dos mercados. Em paralelo, cresce a atenção para a declaração prevista hoje do secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, sobre as novas sanções ao Irã, notícia que tem impacto direto nas expectativas de oferta de energia.
Na ponta das commodities, o petróleo Brent para outubro recua 1,39%, cotado a 93,08 dólares por barril, refletindo a prudência dos investidores na curva de oferta e demanda antes das sanções e do calendário corporativo.
O setor de tecnologia apresenta fraqueza: o índice Nasdaq especializado em empresas de tecnologia em Wall Street cedeu 0,90%, superando a queda do S&P500 (-0,35%). O Dow Jones, por sua vez, mostrou resiliência e avançou 0,23%, sinalizando uma seleção por estilo de ativos.
Olhos também voltados para os próximos dias: na quarta-feira estão previstos os resultados da Nvidia, evento que pode acelerar ou frear a rotação em tecnologia; o simpósio anual de banqueiros centrais em Jackson Hole começa no dia seguinte e promete calibrar expectativas sobre política monetária global.
Durante a madrugada, o setor de tecnologia arrastou os mercados asiáticos para baixo. Entre os tombos mais significativos, figuram Samsung com -8,7% e o grupo chinês de e-commerce Alibaba com -9%, movimentos que reforçam a volatilidade do segmento tech em escala global.
Em Milão, os setores de defesa e tecnologia figuraram entre os mais pressionados: Avio caiu 4,73%, Leonardo -2,29%, enquanto a fabricante de semicondutores STMicroelectronics recuou 2,04%. O produtor de cabos Prysmian, com forte exposição ao crescimento de data centers, registrou queda de 4,92%. No universo automotivo e bancário, Stellantis perdeu 3,21% e Banco BPM fechou em -1,80% em véspera do conselho que tratará da oferta (Ops) anunciada pela MPS.
Entre os poucos ganhos, destacam-se Nexi (+4,18%) e Moncler (+2,08%), que mostraram resistência em um pregão volátil.
Como estrategista, observo que o mercado hoje age como um motor com cilindros em desacordo: algumas engrenagens (energia, política comercial) demandam ajustes, enquanto a tecnologia confirma que qualquer aceleração de resultados — especialmente da Nvidia — pode redefinir rapidamente a trajetória dos índices. A recomendação é manter a atenção na calibragem das expectativas de oferta (petróleo) e na resposta dos reguladores e empresas aos próximos sinais.
Stella Ferrari, economista sênior da Espresso Italia

