OCDE reduz previsão e aponta crescimento fraco do PIB da Itália em 2026

OCDE reduz previsão: PIB da Itália cresce 0,4% em 2026; dívida segue alta e reformas estruturais são urgentes para retomar dinamismo.

OCDE reduz previsão e aponta crescimento fraco do PIB da Itália em 2026

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OCDE reduz previsão e aponta crescimento fraco do PIB da Itália em 2026

Por Stella Ferrari — A OCDE revisou esta semana para baixo suas previsões para a economia italiana, projetando um PIB de apenas +0,4% em 2026 e +0,6% em 2027. O ajuste reflete, sobretudo, o choque causado pela forte alta dos preços energéticos no início do ano, que funcionou como um freio imediato ao consumo das famílias, à produção industrial e aos investimentos.

O relatório da organização confirma que a economia mostra sinais de resiliência, sustentada por uma estrutura produtiva relativamente diversificada e por medidas públicas de apoio — incluindo créditos tributários e os investimentos vinculados ao PNRR. Esses fatores ajudaram a preservar empregos e rendas reais, além de reforçar a solidez dos balanços de empresas e famílias, enquanto o sistema financeiro permanece, em linhas gerais, estável.

No entanto, o quadro macroeconômico segue pressionado e exige uma calibragem cuidadosa das políticas. O déficit é estimado em 3,1% do PIB em 2025, recuando para 2,9% em 2026 e 2,8% em 2027. Já a dívida pública permanece elevada: partiu de 137,1% do PIB no último ano e deve alcançar 137,5% em 2026, estabilizando em 137,4% em 2027.

O mercado de trabalho apresenta trajetória ligeiramente favorável, com taxa de desemprego projetada em 6,0% em 2025, 5,6% em 2026 e leve subida a 5,7% em 2027. A inflação — influenciada pelos choques energéticos — sobe de 1,6% em 2025 para 2,4% em 2026, recuando depois para 1,8% em 2027 à medida que as pressões se dissipam.

A avaliação da OCDE destaca que avanços recentes ligados ao PNRR e a reformas estruturais estão a operar como um motor de curto prazo para emprego e investimento. Progresso foi apontado em áreas como concorrência, justiça civil, digitalização da administração pública, infraestrutura e transição climática. Tornar permanentes os mecanismos mais eficazes introduzidos pelo PNRR aumentaria a capacidade do Estado de desenhar e executar políticas públicas de maior impacto.

Ao mesmo tempo, persistem fragilidades crônicas: o elevado nível da dívida pública, o envelhecimento demográfico, a estagnação da produtividade, a baixa natalidade, a limitada participação feminina no mercado de trabalho e a emigração de jovens reduzem o potencial de crescimento de longo prazo. Fatores externos — tensões geopolíticas, novas ondas pandêmicas, concorrência crescente de economias emergentes e a difusão acelerada de tecnologias de difícil adoção — adicionam incerteza ao percurso.

Para recuperar uma trajetória sustentável de redução da dívida, a OCDE recomenda melhorar a qualidade e a eficiência da despesa pública, conter os custos do sistema previdenciário, intensificar o combate à evasão fiscal e reequilibrar a combinação de receitas em favor do crescimento e do emprego. O plano de médio prazo prevê um caminho gradual de consolidação até 2031 — uma calibragem que exige disciplina fiscal, reformas estruturais e execução técnica refinada. Em termos de política, a Itália hoje precisa ajustar os freios e acelerar a transmissão das reformas para colocar o motor da economia em marcha de forma sustentável.