OnlyFans negocia venda de participação minoritária com valuation superior a US$ 3 bilhões
OnlyFans negocia venda de participação minoritária a Architect Capital com valuation acima de US$ 3 bi; objetivo: estabilidade e produtos financeiros para creators.
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OnlyFans negocia venda de participação minoritária com valuation superior a US$ 3 bilhões
OnlyFans, a plataforma conhecida por conteúdo adulto e monetização direta de criadores, está em negociações avançadas para a venda de uma participação minoritária que pode avaliar a empresa em mais de US$ 3 bilhões (aprox. £2,2 bilhões). Fontes do mercado indicam que a operação envolveria a alienação de uma quota inferior a 20% para o fundo norte-americano Architect Capital, com sede em São Francisco.
O movimento representa uma mudança substancial em relação a rumores do início do ano, quando se cogitava a venda de uma fatia majoritária — perto de 60% — da companhia. A opção por uma participação de menor monta é interpretada pelo mercado como uma estratégia pensada para preservar continuidade e estabilidade operacional, especialmente após o falecimento do fundador Leonid Radvinsky, o bilionário ucraniano-americano que morreu no mês passado aos 43 anos. Em caso de acordo, o controle da plataforma permaneceria nas mãos do trust familiar que detém as ações do fundador.
Uma das razões para a escolha do parceiro é a experiência de Architect Capital em serviços financeiros. A OnlyFans avalia lançar produtos bancários específicos para creators, muitos dos quais enfrentam barreiras para acessar serviços financeiros tradicionais em função da natureza de suas atividades. Essa iniciativa alinha-se à visão de transformar a plataforma não apenas em um motor de receitas por assinaturas, mas também em um ecossistema financeiro para criadores.
Os números reforçam a atratividade do negócio: a plataforma contabiliza cerca de 4,6 milhões de criadores cadastrados e um público de aproximadamente 377 milhões de usuários. No exercício encerrado em 30 de novembro de 2024, a empresa registrou receitas de US$ 1,4 bilhão e um lucro antes de impostos de US$ 684 milhões, um avanço de 4% em relação ao ano anterior. Os pagamentos aos criadores, que retêm 80% das receitas enquanto a plataforma fica com 20%, totalizaram US$ 7,2 bilhões, um crescimento anual de 10%.
Do ponto de vista estratégico e da engenharia de negócios, a operação pode ser vista como uma «calibragem» do capital: preservar o núcleo de controle enquanto se introduz um parceiro com know-how financeiro é uma forma de afinar o motor da empresa para a próxima fase de crescimento. Para investidores e executivos, trata‑se de manter a aceleração das receitas ao mesmo tempo em que se aplicam freios seletivos ao risco de governança após a perda do fundador.
Como economista e estrategista de negócios, observo que a oferta de serviços financeiros integrados aos criadores pode criar receitas recorrentes adicionais e reduzir a dependência exclusiva de comissões sobre a plataforma — uma diversificação de receitas que, bem desenhada, aumenta a resiliência diante de choques regulatórios e de reputação. A escolha de um comprador minoritário experiente nesse segmento sugere que a OnlyFans busca tanto capital quanto competências para projetar seu próximo ciclo de crescimento.
Enquanto as negociações prosseguem, o mercado monitorará os detalhes do acordo, a estrutura da participação e as garantias de governança que serão estabelecidas para assegurar a estabilidade do negócio no pós-Radvinsky.