Ouro e prata atingem níveis históricos com incerteza na política dos EUA e riscos à independência da Fed

Ouro e prata alcançam recordes enquanto investidores buscam refúgio diante de incertezas políticas nos EUA e riscos à independência da Fed.

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Ouro e prata atingem níveis históricos com incerteza na política dos EUA e riscos à independência da Fed

Por Stella Ferrari — Em um movimento que revela a busca por ativos seguros, ouro e prata chegaram a tocar patamares históricos — cerca de US$ 5.000 e US$ 100 por onça — em meio a uma crescente incerteza sobre a política dos EUA e ao temor sobre uma possível perda de independência da Fed. Investidores, recalibrando portfólios, têm acelerado a entrada nesses metais como proteção contra riscos geopolíticos e de governança monetária.

Segundo Kathleen Brooks, analista da XTB, "os riscos geopolíticos e a presidência americana atípica mantêm sustentada a demanda pelo metal amarelo". Entre os episódios que estimularam o apetite por caráter seguro estiveram as declarações de Donald Trump sobre a intenção de se apropriar da Groenlândia e suas ameaças de impor tarifas adicionais a países que se oponham — uma postura que, embora minimizada durante o Fórum Econômico Mundial em Davos, quando o presidente americano recuou quanto ao uso da força ou da coerção tarifária, deixou marcas nas expectativas de mercado.

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As frequentes mudanças de rota da administração americana têm funcionando como um elemento de fricção para o dólar e para os títulos do Tesouro, afastando parte da demanda tradicional por esses ativos. Complementarmente, "os temores de uma Fed sob influência externa contribuem para a valorização dos metais preciosos", observa Stephen Innes, da SPI AM. Um fator concreto de preocupação é a investigação conduzida pelo Departamento de Justiça dos EUA sobre o presidente do banco central, Jerome Powell, relativa a audiências sobre obras de reestruturação da sede da Fed — investigação que, segundo críticos, pode ser um pretexto para pressionar a autoridade monetária.

Nesse cenário, o mercado também busca blindagem contra uma possível aceleração da inflação e contra o endividamento generalizado dos Estados. A lógica é clara: quando os freios fiscais e a arquitetura política parecem instáveis, a alocação para ativos reais — com oferta limitada e função de reserva de valor — tende a aumentar.

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Do ponto de vista de preços, o ouro operou com leve recuo de 0,15%, cotado a US$ 4.928,17 por onça, após ter atingido um novo recorde intradiário de US$ 4.967,34. A prata, sustentada também por demanda industrial, apresentou alta de 2,39%, negociada a US$ 98,5432 por onça, ficando próxima do pico de US$ 99,3853 registrado no início do pregão.

Como estrategista, interpreto essa movimentação como uma recalibragem do motor da economia global: investidores estão ajustando a potência de seus portfólios, reduzindo exposição ao risco político e monetário nos EUA e aumentando posições em ativos tangíveis. Trata-se de uma resposta técnica e racional a sinais de descontinuidade institucional, não apenas de um movimento especulativo de curto prazo.

Para gestores e investidores que operam com horizonte de médio a longo prazo, a lição é clara: manter a calibragem de juros e ativos de proteção no portfólio é hoje parte do design prudente de políticas de investimento. Monitorar desdobramentos políticos em Washington e comunicados da Fed será crucial para ajustar velocidades e traçados de alocação nos próximos meses.

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