Pagamentos com cartão disparam 13,5% em 2025; uso do dinheiro em espécie recua
Pagamentos com cartão crescem 13,5% em 2025 na Itália; contactless domina e uso do dinheiro em espécie cai significativamente.
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Pagamentos com cartão disparam 13,5% em 2025; uso do dinheiro em espécie recua
Por Stella Ferrari — O avanço dos pagamentos digitais na Itália continua com ritmo vigoroso, empurrando o país em direção a uma nova configuração do sistema de pagamentos. Segundo relatório do Centro Studi de Unimpresa com dados da Banca d'Italia, em 2025 as operações realizadas com cartões de pagamento atingiram 12,385 bilhões, um aumento de 13,5% em relação às 10,909 bilhões de 2024. Os valores movimentados subiram de 469 para 506,3 bilhões de euros (+8%).
Essa expansão das transações eletrônicas acontece enquanto o dinheiro em espécie perde participação. As operações de abastecimento de numerário caíram 5,5% e os valores sacados recuaram 3,5%, até chegar a 340 bilhões de euros. Entre 2023 e 2025, houve uma diminuição de quase 97 milhões nas operações de saque e uma redução de cerca de 22 bilhões de euros nos valores retirados — sinais claros de mudança estrutural no comportamento dos consumidores.
No mix de instrumentos, os cartões de débito lideram com folga: 7,752 bilhões de operações em 2025 (+15,6%) e 305,6 bilhões de euros movimentados (+9,7%). Cartões de crédito cresceram para 1,829 bilhões de transações (+6,9%), com 113,1 bilhões de euros (+4,2%), enquanto cartões pré-pagos registraram 2,803 bilhões de operações (+12,5%) e 87,6 bilhões de euros (+6,9%).
Um motor claro dessa aceleração é o contactless, que chegou a 8,559 bilhões de operações em 2025, aumentando 25,4% e movimentando 310,9 bilhões de euros (+21,3%). Hoje, pagamentos sem inserir o cartão no terminal representam 88,3% das operações nos pontos de venda físicos e 83,5% do valor total transacionado nesses estabelecimentos — uma calibragem de conveniência que redefine a experiência de varejo.
O e-commerce segue em expansão: operações online subiram 12,3% para 2,683 bilhões, com valores alcançando 132,4 bilhões de euros (+11,6%). Apesar disso, os pontos de venda físicos permanecem predominantes, com 9,7 bilhões de operações e 372,6 bilhões de euros em contravalor.
No front dos pagamentos por transferência, os instant payments destacam-se: operações cresceram 144,7% a 298,8 milhões, e os valores movimentados avançaram 150,1% para 241,6 bilhões de euros. No agregado, transferências e instruções de cobrança totalizaram 4,074 bilhões de operações (+6,6%) e quase 11.895 bilhões de euros movimentados (+3,6%).
Por outro lado, o uso de cheques continua em queda, com 51,5 milhões de operações (-13,6%) e valor de 221,6 bilhões de euros (-9,4%). Em 2025, as operações com cartões foram quase doze vezes superiores aos saques em espécie — um indicador da aceleração da transição digital.
Paolo Longobardi, presidente da Unimpresa, descreve a expansão dos pagamentos digitais como sinal de modernização e maior eficiência do sistema econômico, mas adverte que o dinheiro não deve ser demonizado: a transição deve combinar inovação e conveniência, preservando a liberdade de escolha de cidadãos e empresas. Em termos práticos, estamos diante de um redesenho do sistema de pagamentos — é preciso calibrar políticas que mantenham a segurança e a inclusão enquanto aceleram a eficiência. Como estrategista, vejo isso como uma mudança de marcha do motor da economia: alta performance exige tanto aceleração tecnológica quanto afinamento regulatório.