Portofino: loja Manebì de 33 m² do prefeito Viacava vendida por €3,5 milhões na Piazzetta
Loja Manebì de 33 m² em Portofino, propriedade do prefeito Viacava, foi vendida por €3,5 milhões na Piazza Martiri dell'Olivetta.
RESUMO ✦
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Portofino: loja Manebì de 33 m² do prefeito Viacava vendida por €3,5 milhões na Piazzetta
Por Stella Ferrari — Em uma operação que recalibra o mercado imobiliário de alto padrão em destinos costeiros, foi concluída a venda da loja Manebì em Portofino, propriedade do prefeito Matteo Viacava. Segundo apuração do Il Giornale d'Italia, o ponto comercial de 33 metros quadrados na Piazza Martiri dell'Olivetta foi negociado por €3,5 milhões — o equivalente a cerca de €106 mil por metro quadrado.
O imóvel, localizado no número 37 da famosa praça, na entrada do molo ao lado esquerdo e adjacente ao restaurante Taverna del Marinaio, está posicionado em um dos polos de visibilidade mais intensos da vila. Nas proximidades, a joalheria Cusi mantém vitrine e fluxo de clientes que alimentam a dinâmica comercial local. A empresa compradora é uma sociedade imobiliária que, conforme fontes, não pertence a grupos tradicionais do luxo.
De acordo com as informações levantadas, o novo proprietário desenhou um plano de locação que projeta uma receita robusta: uma entrada de aproximadamente €500 mil por condutor e um aluguel anual na ordem de €300 mil. Essa estrutura sugere que o ativo será explorado com contratos de alta margem, apostando na elasticidade da demanda turística e no valor exclusivo do endereço.
O prefeito Viacava já havia alugado o espaço anteriormente a uma marca francesa. Com o término desse contrato, optou-se pela alienação do imóvel — movimento semelhante ao ocorrido em junho de 2024, quando o Grupo Kering entrou em Portofino com uma de suas marcas e ofertou um key money à Gennaker snc (Silvia e Rachele Prato) para a liberação de um imóvel de 24 m² na mesma praça (Piazza Martiri Olivetta 60), conforme reportagem do Il Giornale d'Italia.
Como economista e consultora de mercados de luxo, observo nesta transação uma espécie de recalibragem mecânica: o motor da economia local está sendo submetido a nova configuração entre propriedade e ocupação comercial. A operação revela duas tendências claras — a contínua monetização de ativos em endereços icônicos e a profissionalização da gestão imobiliária, mesmo por players que não são, originalmente, casas de luxo.
Impactos e sinais para investidores: primeiro, a métrica de preço por metro quadrado em praças emblemáticas segue em territórios estratosféricos, moldando expectativas de retorno e riscos; segundo, os contratos de locação com altos ingressos iniciais e aluguéis anuais elevados funcionam como amortecedores de rentabilidade para o proprietário, mas criam pressões competitivas sobre as marcas locatárias, que precisam justificar a presença com vendas excepcionais ou estratégias de marca altamente segmentadas.
Em termos de política local, a venda de um imóvel detido pelo chefe do executivo municipal pode suscitar debates sobre governança e transparência, ainda que, formalmene, não haja indicação de conflito. Para o ecossistema de Portofino, a operação é mais um incremento na arquitetura de preços que já transforma a praça em um produto imobiliário de altíssima engenharia financeira.
Continuarei acompanhando os desdobramentos, incluindo eventuais informações sobre o perfil da sociedade adquirente e os nomes das marcas que eventualmente ocuparão o espaço. A aceleração dessas movimentações exige atenção dos investidores: calibrar posições com base em dados de tráfego, ticket médio e sazonalidade será essencial para manter a performance esperada.


