Poste Italiane lança OPA totalitária de €10,8 bi para comprar Telecom Italia

Poste Italiane anuncia OPA de €10,8 bi para adquirir Telecom Italia, combinando ações e caixa; conclusão prevista até fim de 2026.

Poste Italiane lança OPA totalitária de €10,8 bi para comprar Telecom Italia

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Poste Italiane lança OPA totalitária de €10,8 bi para comprar Telecom Italia

Por Stella Ferrari — Em movimento que redesenha o tabuleiro industrial nacional, Poste Italiane lançou uma OPA totalitária (oferta pública de aquisição e troca) avaliada em cerca de €10,8 bilhões para a aquisição de Telecom Italia (TIM). A decisão foi formalizada pelo conselho de administração da empresa controlada pelo Ministério da Economia, que detém uma participação direta de 29,26% e participa ainda por meio da Cassa Depositi e Prestiti (CDP) com outra fatia relevante, segundo a nota oficial.

A operação materializa um objetivo explícito: “criar um único grupo, integrando duas das maiores e mais importantes realidades industriais italianas”. O grupo liderado por Matteo Del Fante já possui hoje cerca de 27,3% de TIM. A oferta combina componente em ações e em dinheiro, com uma valorização por ação TIM estimada em aproximadamente €0,635.

No detalhe técnico-financeiro, a proposta contempla a entrega de 0,0218 ações ordinárias de nova emissão de Poste Italiane mais €0,167 em espécie por cada ação TIM apresentada pelos acionistas. O prêmio implícito em relação ao preço de fechamento de 20 de março é de 9,01%. O fechamento da operação está previsto até o final de 2026, condição que cria uma janela para ajustes regulatórios e de mercado.

Se consumada, a combinação desenharia uma das principais plataformas integradas do país, com receitas agregadas estimadas em torno de €26,9 bilhões, um Ebit pro-forma agregado próximo de €4,8 bilhões e mais de 150 mil empregados. É uma transformação de escala — pense na economia como um motor: esta operação busca coordenar pistões antes separados, com ganhos de sinergia na infraestrutura e distribuição.

O anúncio não pegou totalmente de surpresa. Há cerca de um ano emergiu o interesse público de Del Fante por TIM, e recentemente Poste ampliou posições no capital ao adquirir 15% de ações provenientes da francesa Vivendi e, há poucas semanas, conseguir um primeiro 9,81% vindo da Cassa Depositi e Prestiti. Em paralelo, Poste comunicou que adotará para seus usuários as infraestruturas e a rede móvel de TIM, substituindo a solução anterior com Vodafone.

As sinergias comerciais são claras no papel: TIM pode explorar a vasta rede de agências de Poste Italiane para promover seus serviços, enquanto Poste se beneficia das capacidades de conectividade do Grupo Telecom. Do ponto de vista financeiro, 2025 foi um ano de alta performance para Poste, com lucro líquido de €2,21 bilhões, alta de 10% sobre 2024, impulsionado por todos os negócios — financeiro, segurador e PostePay. TIM também apresentou sinais de recuperação em 2025: receitas de €13,7 bilhões, retorno ao lucro com resultado líquido consolidado de €519 milhões e redução significativa do endividamento líquido.

Agora a bola vai para o mercado: amanhã, às 9h, Piazza Affari abrirá com os investidores precificando o impacto imediato da oferta. Do ponto de vista estratégico e regulatório, trata-se de uma manobra de alta voltagem — a calibragem das autoridades e a reação dos acionistas determinarão se este projeto de consolidação será o novo eixo da infraestrutura e serviços integrados na Itália.