Preço do petróleo se estabiliza; bolsas europeias ensaiam recuperação

Brent a US$102 e gás a €50,9/MWh. Bolsas europeias sobem; foco na decisão do Fed e acordo Iraque-Curdistão para exportar via Ceyhan.

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Preço do petróleo se estabiliza; bolsas europeias ensaiam recuperação

Por Stella Ferrari — O preço do petróleo permanece elevado, mas apresentou sinais de estabilidade: o Brent está cotado a 102 dólares por barril, queda de 1% em relação a ontem, após ter alcançado 106 dólares dois dias atrás. Para colocar o movimento em perspectiva, antes do ataque ao Irã a cotação situava-se pouco acima de 70 dólares — evidência clara da recente aceleração de tendências no mercado energético.

Também há sinal de acomodação no mercado de gás, negociado a 50,9 euros por megawatt-hora, recuo de 1%. A comparação com o fim de fevereiro, quando o preço estava em 31 euros, reflete a intensidade da volatilidade: é como se o motor da economia tivesse recebido uma injeção súbita de demanda e risco.

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Contribuiu para os recuos recentes o acordo entre o governo iraquiano e a administração regional do Curdistão para retomar exportações de petróleo pelo oleoduto até o porto turco de Ceyhan, oferecendo uma alternativa ao Estreito de Hormuz. Esse movimento funciona como uma recalibração de rotas de exportação — um ajuste tático que alivia, ainda que parcialmente, os riscos geopolíticos que pressionavam os preços.

No continente, as bolsas ensaiam um rali de recuperação. Na Ásia, Seul avançou 5% — o terceiro dia consecutivo de ganhos — e Tóquio subiu 3%. Em Wall Street, o fechamento de ontem registrou alta de aproximadamente meio ponto percentual. As atenções, agora, se voltam para as decisões de política monetária do Federal Reserve previstas para hoje à noite, quando se espera que a instituição mantenha os taxas de juros inalteradas, uma calibragem essencial para o sentimento global.

A Bolsa de Milão destacou-se com valorização de 1,22% ontem, retornando aos níveis de início de ano; na abertura de hoje registra alta de 0,50%, em 45.100 pontos, alinhada com Frankfurt e Paris. Londres sobe 0,14%.

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No plano setorial, há nuances: a Amplifon recuperou 1,12% após queda de 23% entre segunda e terça-feira em reação ao anúncio da aquisição da dinamarquesa GN Hearing por 2,3 bilhões de euros. O segmento de luxo se destaca — Moncler +3%, Brunello Cucinelli +2,47% — enquanto o setor bancário também mostra desempenho positivo. Em contraste, o segmento de energia e as utilities pressionam para baixo os índices.

Um caso particular em Milão foi a queda expressiva da Acea, afetada pelo anúncio da francesa Suez SA — segundo maior acionista depois de Roma Capitale — de oferta de uma fatia de 4% da multiutilidade. O papel caiu 7,3%, para 22,98 euros; segundo a Bloomberg, as ações foram ofertadas a 23 euros, com desconto de 7,26% sobre o fechamento anterior.

Em suma, observamos uma cena de mercado onde a volatilidade energética foi parcialmente domada por ajustes logísticos e decisões políticas, enquanto as bolsas realizam uma recuperação seletiva. A expectativa pela decisão do Fed permanece como o principal fator de inércia — ou aceleração — para os próximos movimentos. Estratégia: acompanharemos a reação pós-decisão e reavaliararemos a exposição setorial, com atenção especial à calibragem de juros e aos impactos nos setores sensíveis a custos de capital.

Stella Ferrari — Economista Sênior, Espresso Italia

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