Risco de divisão Norte-Sul: Paolo Capone (UGL) alerta para necessidade de políticas que reforcem crescimento e coesão
Paolo Capone (UGL) alerta para risco de divisão Norte‑Sul: exige políticas de investimentos e flexibilidade no Pacto de Estabilidade para sustentar crescimento.
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Risco de divisão Norte-Sul: Paolo Capone (UGL) alerta para necessidade de políticas que reforcem crescimento e coesão
Por Stella Ferrari — Economia & Desenvolvimento
Os dados da Svimez pintam um quadro de crescente fragilidade para a economia italiana, com efeitos assimétricos entre as regiões. Segundo a análise, o PIL pode contrair até 0,6% no Centro‑Norte já em 2026, enquanto o Mezzogiorno — o Sul do país — deverá sentir com mais intensidade o abalo, sobretudo pela retração dos consumos, que, no pior cenário, poderá levar a uma queda de até 0,9% em 2027.
“São dinâmicas distintas, mas parte de um mesmo quadro que evidencia a fragilidade global do sistema econômico nacional diante de choques externos”, afirmou Paolo Capone, Secretário‑Geral da UGL.
Na avaliação do líder sindical, torna‑se imperativo adotar políticas capazes de sustentar a coesão e o crescimento do país sem deixar regiões para trás. “É necessária uma estratégia de investimentos com alto multiplicador do PIL, que sustente demanda, produção e emprego. Em momentos como o atual, a calibragem das políticas públicas é tão importante quanto a potência do motor da economia: investimentos estratégicos geram aceleração e evitam que os freios fiscais asfixiem a recuperação”, disse Capone.
Capone também apontou para a necessidade de uma revisão das regras europeias — a começar pelo Pacto de Estabilidade — que, segundo ele, podem limitar a capacidade dos Estados de intervir efetivamente em fases de crise. “É fundamental garantir maior flexibilidade para investimentos estratégicos, especialmente no setor energético, e permitir políticas expansionistas capazes de apoiar o crescimento, conter pressões inflacionárias e prevenir uma nova crise econômica e social”, afirmou o sindicalista.
Para o Secretário‑Geral da UGL, os instrumentos de política devem ser adequados ao ciclo atual: reforçar a resiliência do sistema produtivo, proteger níveis de emprego e preservar a coesão nacional. “É essencial apoiar os territórios mais frágeis para que ninguém fique para trás: o futuro do país passa por um compromisso coletivo para que todas as regiões avancem de forma sincronizada.”
Como economista, observo que a estratégia proposta por Capone tem sentido técnico e político. A combinação de investimentos direcionados com uma moderada margem de manobra fiscal — pensada como uma calibragem, não um rompimento de regras — pode agir como catalisador. Em termos de política energética e infraestrutura, trata‑se de priorizar projetos com retorno social e multiplicador claro, atuando como injeção de torque no motor do crescimento.
O debate sobre flexibilidade europeia volta então ao centro do tabuleiro: repensar limites e exceções para investimentos estratégicos pode ser a diferença entre uma desaceleração controlada e o aprofundamento de um divórcio econômico entre Norte e Sul. A resposta às assimetrias regionais exigirá, portanto, políticas técnicas, coragem política e uma visão de longo prazo — a verdadeira engenharia de políticas para um país que deseja manter sua coesão e competitividade.
Fontes: declarações de Paolo Capone (UGL) e relatório Svimez.