Salvini afasta risco de 'lockdown energético' e admite impacto do caro gasóleo no transporte aéreo

Salvini descarta "lockdown energético" e alerta: alta do gasóleo e do querosene ameaça transporte aéreo e turismo; estudam congelamento de contas para 2026.

Salvini afasta risco de 'lockdown energético' e admite impacto do caro gasóleo no transporte aéreo

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Salvini afasta risco de 'lockdown energético' e admite impacto do caro gasóleo no transporte aéreo

Matteo Salvini, ministro das Infraestruturas e vice-premier da Itália, descartou hoje qualquer hipótese de um lockdown energético no país. Em entrevista à RTL 102.5, Salvini foi enfático: não estão em estudo nem razionamentos, nem targhe alterne (rodízio de placas), nem o encerramento de fábricas ou escolas, tampouco o retorno ao ensino a distância. "Voltar aos tempos da Covid me causa calafrios só de pensar", afirmou, com tom que busca tranquilizar cidadãos e mercados.

Ao mesmo tempo, o vice-premier reconheceu que existe um problema imediato e concreto: o aumento abrupto do preço dos combustíveis para aviação. "O combustível de avião dobrou em poucos dias", disse Salvini, explicando que as companhias aéreas já pedem autorização para repassar os custos aos bilhetes — preocupação particular para a continuidade territorial da Itália, que afeta regiões insulares e menos conectadas como Sardenha, Sicília, Calábria e Friuli.

Salvini salientou que, por enquanto, conseguiu segurar as medidas extraordinárias: "No momento, consegui manter tudo parado". Mas alertou que, se o conflito e o aumento do caro gasóleo e do cherosene se prolongarem por semanas, ficaria "complicado manter tudo estático". Na sua análise, o setor mais vulnerável e imediatamente afetado é o transporte aéreo, que exige calibragem rápida para evitar rupturas de oferta e aumento de preços para passageiros e carga.

O vice-premier manifestou ainda preocupação com o impacto sobre o turismo, um dos motores da economia italiana responsável por dezenas de bilhões de euros em receitas. "Não gostaria que, pela inércia de Bruxelas, tivéssemos problemas na temporada turística", afirmou, enquanto buscava equilibrar a defesa do setor com a prioridade política de proteger os trabalhadores: "Por enquanto, estou mais focado nos pendulares do que nos turistas; as tarifas estão bloqueadas".

Sobre a relação com a União Europeia, Salvini pressionou por flexibilidade: "A UE nos pede rigor, mas a situação é delicada. Ou Bruxelas percebe a gravidade, ou nós tocamos a campainha". Em termos práticos, defendeu que, se possível, haja uma derrogação conjunta do Patto di stabilità; caso contrário, avisou que Roma poderá agir unilateralmente para ajudar empresas e famílias, mesmo correndo o risco de uma infração, se necessária para amortecer o choque energético.

Por fim, Salvini revelou conversas com o ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, sobre medidas de mitigação mais drásticas: uma hipótese em estudo é o bloqueio do conto energia — ou seja, das contas de luz e gás — aos níveis de preços anteriores ao "pré-guerra no Irã" para todo o ano de 2026. A proposta visa preservar a liquidez de empresas e lares e garantir que o motor econômico não perca compressão num momento de elevada volatilidade.

Como estrategista econômica, observo que a administração de choques de oferta exige uma combinação de medidas técnicas e sinais políticos claros: é preciso calibrar intervenções como se ajusta a injeção de torque num motor de precisão — com rapidez, sem causar tremores no conjunto. A intenção de evitar um "lockdown energético" é a única rota compatível com a necessária manutenção da atividade, mas o desafio será assegurar liquidez e previsibilidade para setores sensíveis como o transporte aéreo e o turismo.

Por Stella Ferrari, economista sênior — Espresso Italia